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TRAVESSIA
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DIA 5 DE 135·Humahuaca, Argentina·13 de abril de 2026·🌙·

Pegue a estrada viajante!

☀️8°C
↑ 2953m
2266km do Rio
💧 68%

Oi, gente! Mais uma vez post duplo por aqui! A cidade em que estou é bem simples e wifi já começa a ser escassa, mas hoje consegui um lugarzinho para atualizar a todos!


Dia 4 - 11/04/26

Meu último dia em Salta, o foco maior era chegar na próxima cidade, mas sendo o último dia, vale deixar algumas impressões dessa cidade. Para quem, como eu, mora em uma cidade gigante como o Rio é até um pouco estranho chegar em uma cidade em que a maioria das contruções tem um andar. Lembro de comentar com o motorista do uber que me trouxe do aeroporto que isso de cara tinha me impressionado na cidade - como é possível sentir o clima de cidade pequena, mesmo não sendo tão pequena assim, com seus 500 mil habitantes. De praticamente todas as ruas da cidade é possível ver as construções baixinhas e as montanhas ao fundo. Se percebe que o ritmo da cidade é muito diferente do que estamos acostumados, a rotação é bem mais baixa, as pessoas parecem fazer tudo no seu tempo e talvez por isso me tenha impressionado o quanto os salteños são simpáticos e amigáveis. Como estava explicando para uma amiga que conheci na viagem, é um jeito diferente de ser simpático. No Rio as pessoas são simpáticas no sentido de serem calorosas, brincarem com tudo e se bobear, já estão te chamando para tomar uma cerveja com elas no dia seguinte. Já em Salta, as pessoas parecem ser simpática pelo ângulo de querer sempre ajudar, o que aconteceu comigo em vários ocasiões, desde a saga de trocar dinheiro com todos me dando direção com um sorriso no rosto e explicando o melhor que podiam tanto num dia quando um senhorzinho, sentado em um banco da praça, viu que eu estava tirando foto com uma construção que eu nem sabia o que era e, como ela era grande, ele me sugeriu por vontade própria que eu ficasse numa outra posição específica para pegar o prédio todo melhor. Já estava agradecendo e seguindo caminho após a foto quando o mesmo me perguntou da onde eu era e se eu sabia da história do prédio. Disse que não e ele então me explicou orgulhosamente não apenas a histõria do prédio como também da própria Salta. Me perguntou sobre o Rio e ficamos conversando assim por uns 10 minutos sobre tudo isso. Um estranho aleatório. Isso para mim representa bem as pessoas da cidade e as conexões que dá para criar viajando assim. E claro, essas oportunidades e conversas espontâneas que surgem são uma ótima oportunidade para praticar o espanhol também! Para concluir, nesse último dia em Salta me deu uma pontinha de vontade de ficar mais e fazer o primeiro recálculo de rota adicionando dias extras em uma cidade (mais para frente vocês verão que eu devia ter feito exatamente isso hahaha). Nesse dia, passeei mais pela cidade andando aleatoriamente por ruas um pouco mais afastadas do centro, que já conhecia bem. Gosto muito de fazer isso para descobrir lugares novos e costumes do povo do lugar. E de fato, além de ter ido no lugar mais clássico de empandas da cidade, o Doña Salta e comido empanadas excelentes, descobri um tipo de mercado municipal daqueles bem clássicos com todo tipo de comércio misturado, desde temperos, frutas, roupas a eletrônicos a tortilhas feitas na hora. Achei esse lugar porque em pleno dia dava para se ouvir a música bombando nas caixas de som na porta do lugar a quarteirões de distância, então tive que ir conferir! Depois disso, dei mais uma passadinha rápida no hostel e rumei para a rodoviária. Em algum momento mais cedo nesse dia, tinha decidido mudar de planos: iria parar em Tilcara ou Purmamarca, cidades ao norte de Salta. No entanto de última hora decidi fazer uma mudança de roteiro e ir para Humahuaca, ainda mais ao norte, por acreditar que seria uma base melhor para os próximos passeios e por estar já mais perto da cidade seguinte, San Pedro de Atacama no Chile. Com isso decidido, peguei o ônibus ás 15h30 e parti para Humahuaca para uma longa viagem, chegando pelas 20h. Parece até longa mas pasou super rápido dado que as estradas eram bem retas e o ônibus era super confortável, muito melhor que todos os aviões que peguei para chegar na Argentinai. Tinha até uma parte de apoiar a perna que nunca tinha visto e bastante espaço para a perna. Além disso, não só vim ouvindo música, mas também comecei um novo livro, Diário de Motocicleta, onde Che Guevara conta sobre sua sua viagem por muitos dos lugares que eu mesmo estou passando. E de fato, refletindo sobre isso, me dá uma sensação boa essa ideia de não saber exatamente para onde ir mas saber que eu posso me deslocar pelo mundo sem muitos planos e que vou conseguir "fazer casa" mesmo que temporária, através com as conexões formadas tanto com as pessoas quanto com a história do lugar. Mas voltando ao ônibus, um pouco depois de anoitecer quando já ia me aproximando de Humahuaca, já senti algo diferente da respiração. Não sabia no momento mas era o começo dos efeitos da altitude. Humahuaca fica a 3012m sobre o nível do mar e isso já se mostrou rapidamente. Chegando na rodoviária, não tinha ninguém para pegar minha mochila da mala do ônibus e tive que improvisar: o bagageiro do ônibus é bem alto e tive que dar o maior salto que consegui, aí apoiei de barriga na entrada do bagaeiro e me estiquei todo para pegar minha mochila, que estava no meio dele (por sorte não estava no final, senão teria fazer uma força maior ainda para entrar de vez no porão para pegar). Feito isso, estava pronto: mochila grande nas costas, mochila pequena na mão, agora era só chegar ao hostel. A caminhada foi de uns 15 minutos e a primeira impresão da cidade é que ela já era BEM mais rústica que Salta. As ruas todas de pedras ou de areia. Fiz toda a caminhada até o hostel e foi aí que senti pela primeira vez os efeitos da altitude. Fiquei bem mais cansado do que o normal para dar essa caminhada e puxar o ar é um pouco mais difícil. A parte boa foi que por a cidade já ser bem menor, já dava para ver um céu estrelado lindo como não via há muito tempo.A cereja no bolo é que ao chegar no hostel vi que não tinha ninguém na recepção e a porta trancada. Toquei a campainha umas 4 vezes e nenhuma resposta, já estava pensando que ia ter que procurar outro lugar para ficar de improviso. Decidi ligar para o número do hostel porque além da reserva ainda disse que horas iria chegar, deveria ter alguém para abrir a porta. Liguei, por sorte atenderam e falei com meu espanhol torto que estava na porta e se podiam abrir para mim. Não entendi muito bem a resposta, mas a sorte maior ainda foi que ouvi a pessoa falando no telefone perto, tipo o que estou ouvindo no telefone com delay, ouvindo ao vivo e aí encontrei a recepcionista que veio de outra casa... eu estava esse tempo todo tocando no hostel errado hahahah. O meu era logo em frente e aí sim cheguei e foi engraçado porque tinha reservado um quarto de 5 pessoas, quando ela me mostrou o quarto era só de 4 pessoas e já comemorei internamente, mas o melhor é que ninguém estava nesse quarto, ou seja: quarto só para mim! Assim se encerra meu dia, fui dormir cedo para pegar passeios no dia seguinte.


Dia 5 - 12/04/26

O começo do dia foi um pouco mais chato, acordei com uma dor de cabeça por conta da altitude e o frio dificultou de sair da cama também. Fazia 3 graus às 7 da manhã. Resolvi me dar mais um tempo de sono para respeitar os efeitos da altitude. De qualquer forma, um controle de respiração já melhora um poucos os efeitos da quantidade menor de oxigênio. O café da manhã desse hostel, o El Sol hostel, já me pareceu de cara bem melhor do que o de Salta, várias torradinhas com doce de leite e geleia, um pão e um café com leite, muito bem servido, apesar de um pouco seco. De qualquer forma, me informei sobre os passeios da cidade e o recepcionista da manhã me deu boas dicas sobre o que dava para fazer. Aqui basicamente não há tantos passeios de agências, mas ficam umas pessoas pelo centro oferecendo passeios e ele me falou para encontrar essas pessoas. Indo tentar conseguir o passeio, me chamou atenção que nas ruas de areia que dão acesso ao hostel havia muitos cachorros e alguns vieram falar comigo, fiz um carinho rápido para Bil não ficar com ciúme, mas o mais impressionante foi notar que cada rua tinha no mínimo dois cachorros que pareciam tomar conta dela e vi isso sem exagero pelo menos em umas cinco ruas, que foram todas que atravessei para chegar ao centro da cidade. Nunca vi cachorros tão territorialistas quanto esses, a ponto de quando um dos cachorros que estava desgarrado tentou entrar em uma das ruas, os dois cachorros que estavam defendendo ela o expulsaram ameaçando com aqueles rosnados que dá para ver que não são de brincadeira e escoltaram o cachorro desgarrado até o final da rua com esse rosnado. Como se não fosse suficiente, uma das ruas era guardada por um trio de salsichas, aparentemente existe uma panelinha elitista ali proque era a única rua de cachorros de marca, os outros todos viralatas.

Depois dessa breve curiosidade, segui meu rumo, comprei as folhas de Coca e caramelos de Coca e mel como chamam aqui, ambos para ajudar a aliviar os efeitos da altitude. Encontrei um cara oferecendo o passeio que queria fazer, o Hornocal, que é uma montanha gigante arco íris. Queria fazer Hornocal mais Salinas Grandes que é a maior salina da Argentina e dizem que é um excelente lugar para conhecer. Falando com o cara do passeio ele me falou que não daria para fazer ambos porque são muito longes um do outro, mas que eu podia amanhã pegar um ônibus para Purmamarca (aquela cidade mais ao norte de Salta e mais ao sul de onde estou) e de lá conseguir esse passeio. Pareceu um bom plano já que teria mais um dia aqui em Humahuaca e poderiaa fazer esse bate volta. O único detalhe era que que eu encontrei o cara 10h10 e o último passeio tinha saído ás 10h, então perdi por pouco e tive que esperar o próximo, 12h30, mas como eles dizem "no pasa nada", sem grandes problemas, resolvi ir conhecer o centro da cidade e pegar alguma coisa para comer. Como hoje é domingo a cidade está cheia de feiras das mais tradicionais, muito artesanato andino muito bonito, as pessoas seguindo seus dias, comprando suas frutas e comidas e eu andando por toda a cidade, que deve ter umas duas ruas principais, quando me deparo com um monumento incrível. Uma grande escadaria com várias estatuas de bronze desproporcional à cidade, com muitos metros de altura. Era um monumento de independência aos hérois da quebrada de humahuaca. Coisa realmente imponente. Subi tudo bem devagar a escadaria, que mesmo não tão grande deu uma cansadinha e o melhor era que lá de cima dava opara ver toda a cidade. Além disso, notei que aqui em Humahuaca há muitos Cardones que são um tipo de cacto gigante. Alguns podem chegar a 10 metros de altura! Minha próxima parada foi o almoço, onde comi um Estufado de Cordero (Ensopado de cordeiro) que estava meio mequetrefe porque a carne tinha mais cartilagem do que cordeiro, mas encheu minha barriga. Depois dessas voltas, estava na hora do meu passeio a Hornocal. Dessa vez o carro que nos levou era uma 4x4, que foi importante para as estradas de pedras soltas que pegamos depois. O guia foi explicando sobre a paisagem no caminho e falou que o que iríamos conhecer estava a 4400 metros de altitude, mas que estava preparado com folhas de coca e água florida, que é algo para inalar que aparentemente ajuda também. Na primeira parada já deu para ver que esse passeio seria diferente dos outros porque enquanto o espço amplo aberto à frente se mantinha, agora víamos tudo de cima. Quando paramos, notei na hora que tinha águia a uns 50 metro acima de nós que estava simplesmente parada no ar, algo do tipo que faz você duvidar o que seus olhos estão vendo e da realidade. O guia explicou que ela plana assim, parada no lugar enquanto busca presas no solo e que se ela tivesse virada para Oeste era sinal de chuva enquanto se estivesse virada para Leste era sinal de vento. Ela apontava para leste e realmente ventou bastante hoje! Depois disso seguimos para a próxima parada que era Hornocal em si. Nesse ponto, já estou praticando a arte de me mover em câmera lenta para reduzir ao máximo os efeitos da altitude, mas a 4400m nem isso é suficiente, é até difícil explicar como se sente. É como se você ficasse mais distraído um pouco e uma leve dorzinha de cabeça que é diferente da normal - essa parece dar a sensação que só o centro da cabeça está recebendo oxigênio corretamente enquanto as periferias estão lutando para conseguir ar. Nesse tempo todo eu comendo várias balas de coca, que parece ter ajudado. Mas enfim, a estrela do show foi o Hornocal. É uma cadeia de montanhas enorme toda listrada de cores diferentes e formações geológicas que nunca tinha visto. Também é dessas coisas que te faz duvidar da realidade, lindo demais. O guia explicou que existia um caminho de 600m descendo em que era possível ver o Hornocal ainda mais de perto, mas recomendou que quem tivesse se sentindo mal ou tivesse problemas de coração não fosse, que levaria 10 minutos para descer, mas 40 minutos para subir, porque era bem íngreme. Como estava razoavelmente bem eu fui, precisava ver tudo isso mais de perto. Ainda andando em passos de jabuti, fui. A descida foi tranquila a não ser por uma ou outra pedra solta no caminho e lá debaixo com a vista desobstruída, ficou ainda maior e mais impressionante e por alguns momentos sentei no chão de pedra e fiquei só adminrando e tentando absorver todas as curvas e cores desssa montanha. Agora, a parte difícil foi a subida porque inevitavelmente você tem que fazer mais esforço para subir e isso vai puxar muito mais oxigênio. Fui subidno muito devagar e em zigzag para amenizar a inclinação, mas eu sentia como se estivesse correndo num rito intenso, é uma sensação muito doida. Cansei mas cheguei, razoavelmente bem, só precisei de alguns minutos para regular a respiração e tudo voltou só para o nível de incomodo que tinha na chegada, mas tudo valeu a pena, o sentimento de estar conhecendo o mundo faz valer. Na volta do passeio, senti um sono danado, talvez em função desse esforço amplificado e cheguei no hostel e só consegui pensar em tirar uma soneca. Fiz isso e quando acordei fui procurar um lugar para comer ao cair da noite. Nessa caminhada para o restaurante foi que me dei conta de que eu tinha cometido um erro, ao pensar nas minhas próximas rotas: pensei que Humahuace seria uma boa base para os próximos passeios e para ir para o Atacama, já que está mais ao norte. Mas pesquisando melhor, vi que não há ônibus daqui para San Pedro de Atacama, minha próxima cidade. E pelo que andei perguntando pela cidade, o passeio de Hornocal é o único que sai daqui, então acabei perdendo pelos dois lados, mas claro, faz parte de uma viagem assim. Então o plano agora é descer novamente a uma cidade que já tinha passado, San Salvador de Jujuy e de lá pegar um trem para San Pedro de Atacama pela noite. A parte ruim é que tive que abandonar as Salinas Grandes para isso mas é a vida e de toda forma, eu vou para o Salar do Uyuni em alguns dias, que é uma versão gigante de Salinas Grandes, na verdade não só gigante, mas o maior deserto de sal do mundo. Aos poucos vou aprendendo com os erros e também não me cobrando demais por desvios assim, ás vezes coisas boas podem sair disso, quem sabe! Essa é a vida de viajante, por isso preciso cair na estrada!Links para as fotos de Salta e Jujuy - Humahuaca:

Salta: https://drive.google.com/drive/u/0/folders/1mtmW3gy4HpB8AbXcpahszCObvflxJQxfJujuy - Humahuaca:https://drive.google.com/drive/u/0/folders/1-2MnrgBwjQFz6H0-pidYruMcMoX8GUTT

Dados do dia

Intensidade
7/10
Energia
40%
Tom emocional
Neutro
Sono
9h

Trilha deste dia

SEVEN GOBLINS

Masayoshi Takanaka

Spotify
2788 palavras

Conversas

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← AnteriorRodada DuplaComo ontem (09/04) não conseguir escrever por aqui porque o dia foi longo, hoje vou fazer um post duplo contando um pouquinho dos dias de ontem e hoje Dia 2 - 09/04/26: Depois de uma longa noite de descanso necessária, 10 horinhas de sono fizeram uma grande diferença. Acordei bem mais recuperado do cansaço e dor de cabeça do dia anterior e só não foi melhor porque o camarada ao lado roncava que nem um opala. O primeiro objetivo do dia foi cumprir a side quest de trocar dinheiro. Nisso eu sinto falta de cidade grande, celular resolve tudo, mas aqui é diferente, parece que só se aceita dinheiro vivo até mesmo nos hostels. Depois de um café da manhã no hostel com média linhas e café com leite, ou como eles dizem “café com leche”, parti para tentar trocar um dinheiro. Minha primeira tentativa foi numa loja da western union, mas eles não fazem esse tipo de transação. A moça de lá me indicou um lugar na rua de trás que não entendi o nome. Quais eram minha chance de sucesso de encontrar um lugar que nem sei o nome que estou procurando né? Fui lá de qualquer forma...Próximo →Baixos e AltosOi gente! Passando aqui mais uma vez para atualizar vocês sobre os últimos dias (será que um dia ainda consigo fazer um post por dia?). É quase cômico porque tem dias que simplesmente não dá tempo de escrever e outros dias em que tenho tempo, mas meu 4G acaba ou a internet do hostel acaba. É uma luta para conseguir se comunicar por aqui, mas vamos ao post! Dia 6 - 13/04/26 Último dia em Humahuaca. Decidi sair um dia mais cedo por causa do problema de roteiro que tinha comentado. Assim ficaria no zero a zero em termos de tempo já que precisaria voltar algumas cidades para pegar um ônibus para o Atacama. O dia então foi bem vazio, o objetivo maior era chegar nas próximas cidades e com isso, saí para o cnetro da cidade para dar mais uma última volta e comer alguam coisa. Como diz Anthony Bourdain em um de seus conselhos para ser um viajante, e não um turista, "coma em um restaurante vazio de vez em quando" e foi exatamente o que fiz. Bem, não era exatamente um restaurante, mas uma barraquinha de sanduíches na rua onde tudo parecia meio parado. O responsável pelo...