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TRAVESSIA
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DIA 8 DE 135·San Pedro de Atacama, Chile·15 de abril de 2026·

Baixos e Altos

☀️20°C
↑ 2434m
2560km do Rio
💧 25%

Oi gente! Passando aqui mais uma vez para atualizar vocês sobre os últimos dias (será que um dia ainda consigo fazer um post por dia?). É quase cômico porque tem dias que simplesmente não dá tempo de escrever e outros dias em que tenho tempo, mas meu 4G acaba ou a internet do hostel acaba. É uma luta para conseguir se comunicar por aqui, mas vamos ao post!

Dia 6 - 13/04/26

Último dia em Humahuaca. Decidi sair um dia mais cedo por causa do problema de roteiro que tinha comentado. Assim ficaria no zero a zero em termos de tempo já que precisaria voltar algumas cidades para pegar um ônibus para o Atacama. O dia então foi bem vazio, o objetivo maior era chegar nas próximas cidades e com isso, saí para o cnetro da cidade para dar mais uma última volta e comer alguam coisa. Como diz Anthony Bourdain em um de seus conselhos para ser um viajante, e não um turista, "coma em um restaurante vazio de vez em quando" e foi exatamente o que fiz. Bem, não era exatamente um restaurante, mas uma barraquinha de sanduíches na rua onde tudo parecia meio parado. O responsável pelo lugar parecia desinteressado mas o preço era bom. Pedia um sanduíche de milanesa e fiquei esperando. Quando chegou, levei um susto: era um pão cortado em dois, cada metade do tamanho de um pão francês, com uma milanesa dentro, que, ainda que fina, parecia uma orelha de elefante. Um sanduíche de respeito. Tinha um pouco de tudo ali dentro, a milanesa, alguns tomates e alface, ovo e maionse. Pensei "foi para isoso que os inúmeros podrões do RIo de Janeiro me prepararam". Ou eu passava mal ou fortalecia ainda mais o meu organismo. Por sorte, a segunda opção foi o que ocorreu. Tenho me desafiado a mexer menos e menos no celular, sinto que estava muito dependente dele para tudo e tive um momento para apenas sentar e observar a rua e é incrível o tipo de reflexões vêm à cabeça. Por exemplo, fiquei me perguntando: Será que quanto menor a cidade, maiores são os cachorros de rua? Talvez em cidades pequenas, o cachorro acaba sendo cuidado pela comunidade e talvez faça várias refeições por dia por conta disso e possivelmente comendo menos processados também, já que as pessoas comem o que vêm da terra (nenhum mc donalds por perto!) e com isso os restos que vão para esses cachorros também são comida de verdade e de qualidade. Enfim, não sei, só sei que os viralatas eram enormes!Sendo meu último dia em Humahuaca, acho que vale a pena comentar um pouco mais sobre a cidade e minhas impressões. Cheguei nessa cidade sem saber muito o que esperar. Minha ideia era só usar ela como base para os próximos passeios. No entanto, acabei achando a cidade muito interessante por vários motivos. Primeiro, as pessoas da cidade, sem saber quem eu era, devem ter me dado pelo menos uns 100 "buen día" nos 2/3 dias que fiquei lá, povo simpático! Segundo, os habitantes dela têm a pele já bem mais escura que os argentinos digamos, de Buenos Aires. Isso já acontecia em Salta, porém em Humahuaca era ainda mais envidente, o que me fez viajar pensando que são descendentes diretos dos incas e talvez, naquele tempo, a cidade não seria tão diferente do que é hoje, com casas baixas e ruelas com comércio de artesanato local. Essa cidade, acabou me parecendo uma viagem no tempo de certa forma e eu achei isso incrível. Ela não ser nada turística também acabou contribuindo bastante para essa sensação. Outro fator importante é que ela foi a primeira cidade em muito tempo em que era difícil não reparar na beleza do céu. As estrelas saltavam e dava para ver muitas constelações, foi um grande presente de chegada na cidade. Por último, mas não menos importante, as gangues das ruas de cachorros, impossível não achar o máximo! Com isso, me despedi de Humahuaca e rumei para San Salvador de Jujuy, onde pegaria o ônibus para San Pedro de Atacama, cidade mais próxima do deserto do Atacama.

As horas que se seguiram foram longas e exaustivas. Primeiro, meu pensamento foi "vou pegar um ônibus não tão tarde para San Salvador de Jujuy para que eu ainda tenha tempo de conhecer um pouco a cidade antes do próximo ônibus, que seria 2h45 da manhã". Parecia um bom plano, até que cheguei na rodoviária, na hora de pegar o ônibus e quando estava colocando minha mochila grande no bagaeiro do ônibus, o rapaz que estava recebendo as bagagens perguntou para onde eu ia e falei San Salvador de Jujuy. Aí ele perguntou "certo, mas para qual terminal?". Essa pergunta já me quebrou, primeiro porque eu não sabia nem que havia dois terminais nessa cidade e segundo porque no meu bilhete do próximo ônibus, nada de terminal era especificado. Por sorte esse cara, quando falei que ia de Andesmar para o Atacama, me indicou o terminal correto, mas uma pulga foi plantada atrás da minha orelha. "e o terminal que ele me indicou não for o correto. Às vezes a empresa pode operar em ambos os terminais, ele pode ter se confundido também, etc". Nesse ponto, não adiantava muito me preocupar porque pelo menos eu tinha uma informação importante que eu não tinha antes e decidi confiar. Daí, foram pouco mais de 2 horas de ônibus para o meu terminal em San Salvador de Jujuy. Para minha surpresa, esse meu terminal não era nem um pouco perto do centro da cidade, era ligado a ela por rodovias. Nesse momento, percebi que meu plano de dar uma volta na cidade já tinha ido por água abaixo. O que me aguardava agora era uma dura espera de 6h nessa rodoviária que não tinha nenhuma infraestrutura. Nem mesmo wifi, nem nada. Quando cheguei, confirmei no quiosque da empresa de ônibus se era ali mesmo e a moça me disse que sim, eu acho. Algumas pessoas falamo muito rápido e palavras que eu não conheço, o que torna difícil de entender. Já aceitei que seria uma longa noite e fui pegar algo para jantar. Nesse ponto deviam ser umas 20h30 e meu ônibus saia 2h45. Foram 6 horas sentado nas cadeiras de plástico da rodoviária sem muito o que fazer até porque a minha internet tamném resolveu acabar nesse dia. Fiz o que dava no momento: peguei meu kindle e fui ler meu livro. Estava com sono, mas lutando para não dormir, porque meu ônibus seria de notie toda e minha esperança seria conseguir dormir pelo menos um pouco ali. Foram 6 horas de leitura e de olhar para o teto, mas a hora chegou.Quando o relógio marcou 2h30, fui guardando minhas coisas e me preparando para partir. Daí, as 2h40, fiquei de olho nos ônibus que chegavam. E então, 2h45, 3h00, 3h15 e nada. Nesse ponto foi aonde fiquei mais ansioso e preocupado na viagem. Não havia ninguém na rodoviária, nenhum atendente de empresa de ônibus, não havia nenhum tipo de totem de comunicação de horários dos ônibus e tudo que eu tinha era o que dois estranhos me disseram que ali era o terminal certo, ou pelo menos era o que tinha entendido. Tentei pensar que podia ser apenas um atraso, mas até então de todos os ônibus que tinha pegado, todos tinham saído na hora. Fiquei pensando "e se fosse o outro terminal e o ônibus tivesse saido dele eu não teria como saber e teria perdido ele". Comecei a perguntar para algumas pesoas também aguardando seus ônibus se, como eu, iriam também para San Pedro de Atacama, sempre com respostas negativas. A partir desse ponto comecei a pensar até que horas esperava, mandei um email para a companhia, que não teve resposta. Tudo isso influenciado pelo cansaço de mais 8h viajando com certeza também adicionou na dificuldade de lidar com essa incerteza. Decidi esperar mais e torcer e de fato, o ônibus chegou lá para as 3h30. 45 minutos de atraso que ao mesmo tempo me deixaram cheio de dúvida e também me deixaram feliz quando vi o ônibus fazendo a curva da rodoviária porque soube que tinha tomado a decisão certa de esperar mais ali. O que se seguiram foram mais 9 longas horas de viagem que conto no próximo post!

Dia 7 - 14/04/26

Uma vez no ônibus e com tudo mais alinhado, fui tentar dormir o máximo que podia. Saquei meu tapa olho (não sei como chama, aquele negócio que você coloca como uma máscara para bloquear claridade nos olhos) e relaxei para dormir. Foi uma lomnga viagem e acordei algumas vezes durante, como sempre, mas quanto maior a distâncias que percorríamos menos eu acordava por não conseguir dormir em ônibus normalmente e mais eu acordava por não estar conseguindo respirar tão bem. Eram os efeitos da altitude começando. A partir daí comelou o segundo trecho difícil dessa viagem. A altitude dessa vez me pegou de uma forma que ainda não tinha sentido. Começaram a dificuldade para respirar, a pressão na cabeça e ainda tinhamos um bom trecho para seguir. Quando paramos na metade do caminho para fazer a imagração para o Chile, diferente de outras vezes que fiz imigração estando em um ônibus, onde o agente sobe no ônibus e confere os documentos, dessa vez, todas as pessoas tiveram que descer com toda sua bagagem do ônibus. Na altitude em que estávamos, talbvez uns 4200m, isso já se torna uma tarefa complicada, ainda mais quando os efeitos já te pegaram e você já não se sente muito bem. Todo esse processo de imigração deve ter durado mais de 1h30 e ainda contou com coisas do tipo o agente de imigração não achando a minha entrada na Argetina para poder concluir a saída, eu preenchendo um documento de migração para o Chile errado e tendo que refazer lá, mas tudo deu certo. Na verdade, tudo menos uma coisa: senti que saí ainda pior do que entrei. Quando entrei de volta no ônibus e começamos a nos mover, a estrada agora era bem sinuosa e ganhava altitude a cada momento. Pesquisando sobre ssa fronteira, vi que o ponto mais alto do caminho chegava a 4800m, um novo recorde de altitude para mim e com certeza não bem vindo. Agora, a dor de cabeça era mais forte, a dificuldade para respirar era maior e ainda fiquei enjoado com as curvas. Um combo e tanto. Eu geralmente reluto bastante para tomar remédio mas dessa vez fiz um pacote de remédios e tomei dramin, diamox (para altitude) e dorflex para ador de cabeça. Com isso, pelo menos consegui dormir um pouco na parte final (que aliás já tinha visuais lindos do deserto, mas que não conseguir aproveitar tanto por estar desse jeito). Não acreditei quando finalmente cheguei. Depois de mais de 17h de viagem, eu estava em San Pedro de Atacama. Uma cidade de areia e vento. Aí, começou a segunda parte da minha jornada. Primeiro, fui ao hostel torcendo por um check antes do horário. Só queria dormi um pouco para ajudar a me recuperar. Falei com o pessoal da recepção e eles foram inflexíveis e não deixaram. Eram 11h30 da manhã, teria que aguardar até 15h para o checkin. Eu me sentia um zumbi, mas mesmo exausto tive que reunir forças para fazer duas coisas: a primeira era almoçar, eu já não comia há um bom tempo e a segunda era trocar dinheiro, já que eu não tinha nenhum dinheiro chileno comigo e essas cidades pequenas normalmente só aceita dinheiro vivo. Parei para almoçar enquanto pesquisava lugares para trocar o dinheiro. Pedi uma lasanha porque só precisava de uma comida de conforto (apesar de ser de frango a lasanha) e não experimentar comidas novas nesse momento. Quando terminei de almoçar, parti para a rua principal na expectativa de encontrar uma western union, que quando cheguei ao endereço, não existia mais. A minha sorte foi encontrar duas brasileiras que já estavam aqui há mais uns dias e sabiam os bizus de trocar dinheiro. Me indicaram um banco com caixas eletrônicos onde era possível trocar o dinheiro do cartão da wise por pesos chilenos. Feito isso, uma das minhas maiores preocupações tinha sido resolvida. Depois do almoço e dessa pequena vitória eu já me sentia revigorado e resolvi adiantar logo minha vida pelos dias que estarei na cidade. Aqui na rua principal, ficam várias agências de turismo que fazem os passeiso principais do lugar. Como já sabia o que queria fazer, fui pesquisar preços e falei com várias agências diferentes e agora já tenho tudo resolvido pelos próximos dias que estarei aqui! Mais uma vitória muito bem vinda depois do perrengue do dia anterior. Lembre-se eu vim para cá no total improviso, então pode parecer pouco, mas tudo para mim era ponta solta e consegui amarrar todas elas antes da minha soneca da tarde. E fui além ainda: agora já aprendi que tenho que olhar pelo menos 1/2 cidades à frente das que estou no momento para que eu não seja pego de supresa de novo com o "não há ônibus dessa cidade até a sua próxima", então já comecei a pensar em meu próximo destino, o Salar de Uyuni. Na melhor agência de custo benefício que encontrei, eles oferecem passeios também para Uyuni saindo de San Pedro de Atacama. Não só o passeio em si, mas tudo estava incluso nos gastos, o transporte até lá, a parte da imigração, que parece ser mais tranquila num veículo pequeno, as próximas estadias e refeições e conhecer os lugares de fato. Fiz as contas e conclui que valia muito a pena fechar esse passeio também em comparação com ter que comprar ônibus e os mesmos passeiso lá, refeições e estadias, tudo separado. Com tudo resolvido, já tinha dado a hora do checkin e vim me estabelecer no hostel para a minha tão sonhada soneca da tarde, depois de quase 24h de atividade e dificuldades. Dormi como um bebê acordei me sentindo mais renovado, agora sem traços de nada que estava me fazendo mal, nenhuma dor de cabeça, enjoo e dificuldade para respirar (San Pedro de Atacama fica a 2400m, bem mais baixo do que a fronteira de imigração). O Finzinho do meu dia foi bem tranquilo, procurei um lugar barato para comer, mais afastado do centro, e de fato, não havia nenhum turista por lá exceto eu. Olhei rápido mas pelo que entendi eles só serviam uma coisa: Um quarto de frango e batata frita. Foi esse mesmo que pedi e estava muito gostoso. Depois disso, foi só mais uma voltinha pela cidade e voltar para dormir. Meu plano era dormir pelo menos umas 10h seguidas para compensar o não sono da viagem de ônibus. No final, tudo deu certo!Links do drive:Humahuaca - San Salvador de Jujuy:https://drive.google.com/drive/u/0/folders/1-2MnrgBwjQFz6H0-pidYruMcMoX8GUTTSan Pedro de Atacama:https://drive.google.com/drive/u/0/folders/1s492mj0O4jsa4tGxJY8fE6ZJO6mPAy43

Dados do dia

Intensidade
9/10
Energia
5%
Tom emocional
Pesado
Sono
6h

Trilha deste dia

A Palo Seco

Belchior

Spotify
2483 palavras

Conversas

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← AnteriorPegue a estrada viajante!Oi, gente! Mais uma vez post duplo por aqui! A cidade em que estou é bem simples e wifi já começa a ser escassa, mas hoje consegui um lugarzinho para atualizar a todos! Dia 4 - 11/04/26 Meu último dia em Salta, o foco maior era chegar na próxima cidade, mas sendo o último dia, vale deixar algumas impressões dessa cidade. Para quem, como eu, mora em uma cidade gigante como o Rio é até um pouco estranho chegar em uma cidade em que a maioria das contruções tem um andar. Lembro de comentar com o motorista do uber que me trouxe do aeroporto que isso de cara tinha me impressionado na cidade - como é possível sentir o clima de cidade pequena, mesmo não sendo tão pequena assim, com seus 500 mil habitantes. De praticamente todas as ruas da cidade é possível ver as construções baixinhas e as montanhas ao fundo. Se percebe que o ritmo da cidade é muito diferente do que estamos acostumados, a rotação é bem mais baixa, as pessoas parecem fazer tudo no seu tempo e talvez por isso me tenha impressionado o quanto os salteños são simpáticos e amigáveis. Como estava explicando para uma...Próximo →Estrelas Brilhantes e Beleza de Outros MundosDia 8 - 15/04/26 Depois do último dia bem exaustivo, comecei o dia com 11h horas de sono, afinal meu primeiro passeio era só à tarde. San Pedro do Atacama já mostrou a que veio. O primeiro passeio foi ao Valle de la Luna, um lugar muito especial no deserto onde a formação de cristais de selenita refletia a luz do dia, o que fazia parecer que a terra era cravejada de diamantes. O guia estava explicando que na mitologia grega, Selene representava a Lua e nada mais adequado, já que o tom branco dessas formações aglomeradas fazia em muitos pontos o solo parecer a superfície da Lua. Esse inclsuice é um tema recorrente no Atacama - algumas das paisagens fazem você sentir que está em outro planeta, é algo realmente impressionante. Mas voltando ao Valle de la Luna: em certo momento eu fiquei na dúvida se estava realmente no deserto ou na borda dele em uma transição de paisagens, mas a guia me confirmou que já estavámos dentro do deserto naquelo ponto. O que me fez ter a impressão de que não foi que muitos tipos diferentes de solos e paisagens estavam no mesmo lugar mudando rapidamente entre si:...