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TRAVESSIA
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DIA 3 DE 135·Salta, Argentina·11 de abril de 2026·🌙·

Rodada Dupla

🌫️13°C
↑ 1188m
2269km do Rio
💧 99%

Como ontem (09/04) não conseguir escrever por aqui porque o dia foi longo, hoje vou fazer um post duplo contando um pouquinho dos dias de ontem e hoje


Dia 2 - 09/04/26:

Depois de uma longa noite de descanso necessária, 10 horinhas de sono fizeram uma grande diferença. Acordei bem mais recuperado do cansaço e dor de cabeça do dia anterior e só não foi melhor porque o camarada ao lado roncava que nem um opala. O primeiro objetivo do dia foi cumprir a side quest de trocar dinheiro. Nisso eu sinto falta de cidade grande, celular resolve tudo, mas aqui é diferente, parece que só se aceita dinheiro vivo até mesmo nos hostels. Depois de um café da manhã no hostel com média linhas e café com leite, ou como eles dizem “café com leche”, parti para tentar trocar um dinheiro. Minha primeira tentativa foi numa loja da western union, mas eles não fazem esse tipo de transação. A moça de lá me indicou um lugar na rua de trás que não entendi o nome. Quais eram minha chance de sucesso de encontrar um lugar que nem sei o nome que estou procurando né? Fui lá de qualquer forma e de fato não achei o lugar que ela falou, mas achei algo parecido com um banco e fui novamente perguntar. Sem sucesso de novo. A moça desse lugar me indicou outro e lá fui eu, com o relógio correndo, só tinha 50 minutos até meu checkout e sem os pesos que precisava para pagar o resto da estadia. Comecei a procurar as pessoas que ficam na praça principal que me indicaram que fazem esse tipo de câmbio. Rodei a praça inteira e nada. Já estava começando a achar que ia ter que dormir na praça eu mesmo, quando ouvi três senhoras perguntando para alguém se trocava câmbio. Aproveitei a minha chance para falar que também estava atrás de alguém que trocasse. Talvez unindo forças a gente conseguisse e de fato foi o que aconteceu. Perguntamos a uma policial e ela prontamente indicou onde os cambistas ficavam (curioso já que esse câmbio é ilegal teoricamente hahahah). Finalmente encontramos as pessoas e conseguimos trocar o dinheiro. As senhorinhas deram sorte na busca. Aí foi só tranquilidade, descansado e com minha reserva agora garantida, tomei um banho e foi hora de realmente começar a conhecer mais a cidade! O primeiro lugar que visitei foi o MAAM (Museu de Arqueologia de Alta Montanha). O museu em si é bem simples, como algumas poucas salas de exposição, mas o mais legal é ver como o povo de Salta fala com orgulho de suas montanhas e as protegem tanto em termos de conversação quanto em termos de memória. Outro ponto que ficou marcado para mim são as múmias apresentadas no museu - 3 crianças Incas oferecidas como tributo aos deuses Incas no topo das montanhas. Diferente do que conhecia com múmias, estas não estavam enfaixadas, mas sim, estavam exatamente como foram achadas: como os topos das montanhas têm uma temperatura tão baixa e tão pouca umidade, as crianças estão consevadas em um nível assustador. Tudo, desde o cabelo, à pele, às unhas está como se fosse de uma pessoa viva de hoje praticamente, foi bem impressionante. Depois do museu procurei um lugar para um almoço rápido e barato, onde comi uma carne que chamam de "churrasco a la frontera", que eu não sei o que significa, mas era uma parrilla com uns pimentões e um tempero de paprica que pra mim é bem característico da Argentina. A próxima parada foi subir o Cerro (colina) San Bernardo. Lá de cima dá para ver toda a cidade de Salta e a cadeia de montanhas ao fundo. O único leve impecilho para isso foi subir os 1000 (literalmente) degraus. O quanto eu suei para ver essa vista não tá escrito, mas no final valeu a pena e a cidade ganha uma outra luz vista de cima, dá para ver e entender a sua geografia perfeitamente. Depois disso, tendo que encarar de novo os 1000 degraus para descer, a sede bateu e procurei um bar, afinal não tinha tomado nenhuma cerveja desde que cheguei. Achei uma recomendação de um bar chamado Gatsby que tinha um salão bem nesse estilo anos 20 e era dentro de um casarão antigo. Eu gostei que em vez de tentarem transformar o piso superior em parte do bar, eles mantiveram uma casa com mobílias de mesas, cadeiras e luminárias, então a sensação foi literalmente de estar em casa (coincidentemente, o lugar tinha as paredes exatamente no cinza da minha casa e algumas das cadeiras era iguais às que tinha na minha mesa de jantar). Ah, e ainda tinha uma mesa de sinuca (que o pessoal aqui chama de "pool") em um dos cômodos. Tive que jogar, lógico. Esse foi meu dia de ontem, ao voltar para casa não tinha mais energia para parar e escrever isso então to atualizando agora


Dia 3 - 10/04/25

O dia hoje começou cedo e com pouco sono. Acordei às 6h para ficar pronto por um bom motivo: um passeio à Quebrada de las Conchas e ao Cafayate. Eu estava animado com essa parte de Salta porque tudo que eu vi nos vídeos pesquisando sobre o lugar parecia incrível, mas realmente as fotos não fazem jus ao que é o lugar em pessoa. A quebrada das conchas é um vale montanhoso que pelo que eu entendi, já esteve no fundo do mar e por isso trouxe as conchas para a superfície, mas não me cite nessa aqui porque o guia falava rápido e o microfone da van estava estourando então era como se fosse aqueles locutores de leilão que falam 300 palavras por segundo, como o som abafado. A quebrada se estende por quilometros e uma das coisas mais impressionantes é que a paisagem mudou completamente dentro da mesma cadeia de montanhas umas 5 vezes dentro desses poucos quilômetros. Algumas formações rochosas tinham aqueles padrões retos como se fossem as linhas do tempo da rocha e toda a sedimentação que foi se formando ali, outras eram completamente coloridas indo do verde, ao rosa, ao cinza, ao azul, ao vermelho etc. Além dessas mudanças de paisagens bruscas, algumas formações especíoficas também eram muito interessantes: Uma, a Garganta del Diablo é uma formação que te dá a impressão realmente que está entrando na garganta de algo gigantesco. Outra, o Anfiteatro, é uma formação também côncava mas mais larga e tem uma acústica natural assustadora. Tinha um cara tocando violão e flauta la dentro e parece que o som além de reverberar, ainda amplificava. Dava para ouvir de qualquer lugar, muito incrível. Ainda fomos em um mirador que me impressionou por sua vez porque dava para ter uma visão super ampla das cadeias de montanha até onde o olho consegue ver. A impressão que dava é que a visibilidade eram de milhares de quilômetros á frente porque nesse ponto, havia uma área aberta gigantesca até as próximas montanhas.

Para a próxima parte eu estava animado mas acabei me decepcionando um pouco: um tour e degustação de vinhos nessa região de Cafayate, que é tão famosa por isso. A moça deu uma explicação sobre a vinícula mas na hora da degustação só ofereceu três vinhos sendo que dois eram doces, nada contra, tavam até gostosos, mas esperava uma variedade de degustações maior e que durasse mais tempo. Lembro que quando fiz uma dessas degustações em gramado, tinha sem brincadeira uns 20 vinhos diferentes e podia repetir tudo, mas é a vida. Pelo menos deu para conhecer a uva Torrontés, que é a uva da região. Depois disso, fiz amizade com um casal de brasileiros gente boa de São Paulo, almoçamos juntos e pegamos toda a estradad de volta. No geral, o passeio foi muito bom e a parte da natureza me surpreendeu demais, não esparava que fosse um lugar tão bonito, que cada canto parece ter sido esculpido a dedo e isso se traduz perfeitamente no visual e impacto que essas paisagens passaramPS: Ainda não consegui resolver as fotos por aqui, por isso criei um drive para colocar as fotos de cada dia e vocês poderem visualizar melhor o que eu estou falando. Aquie está o link:

https://drive.google.com/drive/folders/1mtmW3gy4HpB8AbXcpahszCObvflxJQxf?usp=sharing

Dados do dia

Intensidade
7/10
Energia
60%
Tom emocional
Leve
Sono
5h

Trilha deste dia

Deusa do Amor

Caetano Veloso, Moreno Veloso

Spotify
1382 palavras

Conversas

Carregando...

← AnteriorO início de JornadaO dia já começou puxado hoje. Depois de acordar 4h30 para terminar de arrumar tudo percebi que a mochila, que eu tinha pensado para ser a mínima possível, acabou ficando muito grande assim mesmo. Já fui para o aeroporto apreensivo de ela chamar muita atenção e a companhia aérea encrecar, mas acabou que no final nos dois vôos que peguei, não tive problema e tudo deu certo. O único problema é que como a mochila estava bem gorda, ela não cabia debaixo do assento do avião. Ou seja, depois de um vôo de 3h e outro de 2h onde eu não tinha espaço para as pernas, consegui uma dor no joelho no literal primeiro dia. Por sorte foi coisa do momento e passou. Chegando a Salta chamei um uber no aeroporto e fui já treinando meu espanhol marromenos e aproveitei para perguntar várias coisas sobre a cidade. Saí da corrida com meu roteiro pronto do que conhecer na cidade. Chegando ao hostel, ainda tive problemas para fazer o checkin porque eles só aceitavam dinheiro vivo e eu não tinha. Lá vou eu procurar uma western union para trocar um dinheiro, a que tinha fechou, não existe mais. Sem opção propus...Próximo →Pegue a estrada viajante!Oi, gente! Mais uma vez post duplo por aqui! A cidade em que estou é bem simples e wifi já começa a ser escassa, mas hoje consegui um lugarzinho para atualizar a todos! Dia 4 - 11/04/26 Meu último dia em Salta, o foco maior era chegar na próxima cidade, mas sendo o último dia, vale deixar algumas impressões dessa cidade. Para quem, como eu, mora em uma cidade gigante como o Rio é até um pouco estranho chegar em uma cidade em que a maioria das contruções tem um andar. Lembro de comentar com o motorista do uber que me trouxe do aeroporto que isso de cara tinha me impressionado na cidade - como é possível sentir o clima de cidade pequena, mesmo não sendo tão pequena assim, com seus 500 mil habitantes. De praticamente todas as ruas da cidade é possível ver as construções baixinhas e as montanhas ao fundo. Se percebe que o ritmo da cidade é muito diferente do que estamos acostumados, a rotação é bem mais baixa, as pessoas parecem fazer tudo no seu tempo e talvez por isso me tenha impressionado o quanto os salteños são simpáticos e amigáveis. Como estava explicando para uma...