Perrenguitos e Laços
Dia 18 - 25/04/26
No final do último dia em Sucre, partimos para La Paz, encarando um ônibus noturno de 11h de duração. Procuramos bastante na estação de ônibus por um ônibus leito para ter uma noite de sono minimamente decente, já que substituiria uma estria em hostels. Não conseguimos. Encontramos apenas ônibus com poltronas que reclinavam mais do que o comum de um semi leito. É a vida! Para mim que não consigo dormir em ônibus direito, até que foi uma noite razoável onde consegui dormir pausadamente, mas consegui. Só seria melhor se por volta das 6 da manhã não tivesse sido acordados com o ônibus parando no meio da estrada. Todo mundo ficou tentando entender o que estava acontecendo, até que algum tempo depois, o motorista subiu no segundo andar do ônibus com a notícia: a estrada levando a La Paz estava bloqueada por manifestantes e havia barricadas que não podiam ser ultrapassadas pelo nosso ônibus. Foi um daqueles momentos em que se tem que tomar uma decisão importante mesmo sem estar em condições. Eu, Ajay e Samila, todos sonolentos, com fome tivemos que entender qual seria o melhor passo: podíamos esperar os bloqueios serem removidos (o que não tínhamos como saber o quanto demoraria) ou podíamos atravessar o bloqueio andando e tentar conseguir outro transporte depois do bloqueio. Ainda foi uma certa sorte porque os bloqueios foram relatuvamente perto da cidade, mais ou menos a 30km de distância, então seria mais barato conseguir um transporte e no pior dos casos podíamos até mesmo andar até a cidade anterior para conseguir um outro ônibus mais fácil.
Primeiro, fomos andando uns bons quilômetros para furar todos os bloqueios (havia várias etapas com barreiras físicas colocadas ou fogo em pneus). Uma vez que passamos de todos os bloqueios, começamos a tentar pedir carona na estrada para La Paz. Pelo que parecia havia carros da cidade mais próxima (a uns 20km de distância) vindo buscar pessoas nesse ponto. Infelizmente, ninguém parou para nos, até porque imagino que nossas mochilas ocupariam espaço demais que poderia ser preenchido por outras pessoas. Até que andando mais, achamos um senhor com uma van livre. Ele quis cobrar o olho da cara de nós: 120 bolivianos por pessoa (para terem uma ideia, a passagem do ônibus de 11h custou 150). Foi mais um teste para minhas habilidades de negociação: como o único falante de espanhol do grupo, esse tipo de coisa acaba sendo caindo para mim. Falei com ele que estava muito caro e que fecharíamos ali se fosse 120 para os 3. Depois de alguma consideração, ele aceitou.
Finalmente, embarcamos rumo ao trecho final para La Paz. Depois de termos percorrido um certo pedaço e confirmando mais uma vez o local que queríamos que ele nos deixasse, de repente o senhor mudou o que tínhamos combinado desde o início e agora disse que el não tinha licença para operar no centro de La Paz. Eu não sei se é complicado de discutir em espanhol ou são apenas algumas pessoas que têm má vontade em admitir o próprio erro. Depois de um tempo tentando argumentar que ele havia quebrado o combinado e por isso pagaríamos menos acabamos vencidos pelo cansaço e pagamos os 40 por pessoa. Ao menos, ele nos deixou na estação de teleféricos de La Paz. De la, por apenas 3 bolivianos podíamos pegar um teleférico que nos deixava bem próximos ao nosso hostel. Mas antes disso, precisávamos parar para comer, todos famintos. Encontramos um lugar que servia café da manhã bem simples na própria estação. Para complementar o início de dia complicado, o café foi um dos piores que eu já tomei! De qualquer forma, pelo menos o vazio do estômago foi preenchido!
La Paz tem o maior sistema de teleféricos do mundo, super acessível e conectando grande parte da cidade. A vista é uma coisa impressionante: como pegamos o teleférico na cidade alta, conseguimos ver toda a cidade baixa, onde íamos, por cima. Uma coisa curiosa da Bolívia é que muitas construções tem as paredes de tijolo sem serem pintadas. A vista de cima, então, foi de um mar de casas vermelho alaranjadas.
O primeiro dia em La Paz foi na verdade leve. Precisávamos disso depois de alguns perrengues e pouco sono. Passamos uma parte do dia falando com várias agências de turismo para fechar os passeios que faríamos e tentar conseguir o menor preço possível neles. As duas coisas principais que queríamos fazer era a luta de cholitas e a Ruta de la muerte ou death road. A última, eu fechei com medo mesmo, mas as vezes é bom dar um susto no cérebro e encarar os medos. Do nosso grupo, Ajay, eu e Gabriel (outro amigo que conhecemos em Sucre, mas que não estava com a gente como Ajay e Samila) fechamos. Samila acabou não querendo ir. Fechamos também para o dia dia depois do amanhã para termos uma boa noite de sono. Depois disso, procuramos lugares para trocar dinheiro e para a minha surpresa La Paz tinha lugares excelentes para isso onde as taxas eram melhores e era possível até mesmo pagar com pix.
No almoco, encontramos um restaurante indiano e fomos muito bem recebidos pelo chef, um indiano casado com uma boliviana e que dava para ver que fazia aquela comida com bastante amor. Ajay, por ser indiano e não comer sua comida há bastante tempo ficou bastante animado e sugeriu o que pedir no cardápio. Começamos com um chá indiano com leite e especiarias que era como um abraço, que coisa boa! Depois chegaram os pratos e tenho que dizer que realmente a gastronomia indiana tem muito sabor. Ajay, tentou me ensinar a comer com a mão, como se faz na Índia, mas é uma técnica que é mais difícil que parece! Primeiro você tem que misturar o arroz, a proteína, o molho e o pão naan e depois usar os três últimos dedos como se fossem uma colher. Sempre nos foi ensinado para não brincar com a comida, mas esse caso eu achei muito divertido e principalmente honrando a cultura de um outro país!
Depois disso, andamos pelos mercado das bruxas e o centro da cidade mostra ver mais e mais. Tem algo muito popular em La Paz que são lojas que vendem casacos falsificadas e personalizáveis da Patagônia. Samila queria um desses e tinha até um design em mente então acabamos passando por várias lojas desse tipo.
Para o final da tarde, voltamos para o hostel para dar uma última descansada para de noite decidi que ia sair para algum bar ou festa que estivesse acontecendo pela cidade. Estávamos super cansados, mas por acaso o dia era sábado e tinha que aproveitar essa chance de ver a cidade à noite.
Não consegui dormir de fato no tempo que tinha para descansar antes de sair. Acabei saindo para comer alguma coisa com Ajay antes de ir para a farra. Como descbrimos com o tempo, os bolivianos amam o frango frito e de longe é o que mais se encontra nas ruas.
Alimentado, voltei para o hostel para encontrar com Samila que estava no bar do lugar. Acabamos passando bastante tempo la, fazendo novas amizades e até perdemos um pouco a hora. Uma das amizades que fizemos, um boliviano meio maluco, nos chamou para uma festa que ele conhecia e la fomos nós. Não pagamos entrada nem nada e ficamos la um tempo. Depois de um certo tempo, decidimos dar uma chance a uma outra festa que um cara de uma das agências recomendou. Indo para la, acabamos encontrando algumas das amizades que fizemos no bar do hostel e fomos juntos, primeiro para uma terceira festa que eles sugeriram, mas era uma coisa meio eletrônica e ninguém estava muito a fim. Acabamos indo agora sim para a que o agente de turismo recomendou. Entramos, ficamos um pouco mas achamos a música da primeira melhor e acabamos decidindo voltar para ela, onde dançamos até o fim da noite.
Foi um dia bem cheio e a parte mais legal é que durante a noite Samila e eu acabamos tendo conversas profundas sobre a vida que avançaram nossa amizade para um nível mais significativo, não mais colegas de viagem, mas amigos de verdade! No final das contas, o dia só acabou as 5 da manhã quando voltamos para o hostel para descansar para o dia seguinte.
Link das fotos:
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