Encontros e Despedidas
Dia 17 - 24/04/26
Segundo dia em Sucre. Essa cidade já me ganhou pela arquitetura, pelo clima, pela beleza, mas principalmente pelos amigos feitos ali. O dia começou como tantos outros: andando pela cidade e procurando cafés. A primeira coisa que precisávamos fazer era garantir nossas passagens para La Paz. Seria um ônibus noturno de 11h de duração então queríamos garantir um ônibus leito de possível e negociar preços o máximo possível. Acabou que conseguimos um quase leito em que o assento não se transformava em uma cama totalmente. É a vida. Andamos tudo de volta para o contarei da cidade (a rodoviária era bem longe para ir andando, coisa de uns 45 minutos).
Em Sucre parece haver toda uma subcultura de carros japoneses, o que eu achei incrível. Inclusive, o primeiro táxi que pegamos da rodoviária para o hostel era muito curioso: ele tinha o volante do lado esquerdo, mas o velocímetro do lado direito, com o antigo buraco para o volante também do lado direito. Ou seja, era um carro japonês modificado para a mão ocidental. É possível ver vários e vários carros japoneses de uns 30 anos atrás rodando pelas ruas. Mais que isso: o povo de Sucre aparentemente tem o costume de tunar os carros, modificar e personalizar. Eu adorei isso. No meio de uma multidão de carros iguais, cinzas, brancos e pretos, é muito legal e até inesperado ver carros com tanta personalidade e esse Easter egg aleatório de cultura da cidade.
O dia prometia muito porque achamos um restaurante Michelin de várias etapas que era super barato chamado El Solar. Para alguns do nosso grupo, foi a primeira vez indo num restaurante assim porque no lugar onde moram o custo de vida é incrivelmente alto e esses restaurantes ficam inacessíveis. Lembram como eu disse que o mondongo tinha ido a melhor coisa que tinha comido na Bolívia? Esse restaurante superou esse posto não com um, mas com vários pratos. Foi uma experiência incrível de conhecer mais ainda da gastronomia boliviana com um grupo de amigos tão bom e experimentando coisas tão gostosas. Foram 10 etapas que eu tenho vontade de voltar para comer diariamente por aqui.
Depois do restaurante, fomos ao mercado negro, que apesar do nome, era apenas um lugar onde era possível consertar roupas em geral, o que foi muito útil para mim, já que minha companheira de caminhadas, a minha bota, já estava aberta entre a sola e o couro. Acho que além de tudo foi uma grande lição: ultimamente eu sinto que as pessoas (eu incluso) não consertam mais as coisas por um pensamento de “vale mais a pena comprar um novo” e na verdade as coisas podem ter um tempo de vida muito maior do que assumimos atualmente. Isso, além de todas as coisas, me deu até uma nova conexão com minha bota. Ela que me leva para todos os lugares eu quero ir e esta comigo para tudo. Fiquei feliz de dar mais tempo a ela e que nós continuemos vivendo muitas aventuras juntos! Se eu apenas comprasse uma hora nova, eu não teria esse sentimento de gratidão novo que desenvolvi por ela! Com a bota costurada e reimpermebializada, estava prontos pra novas aventuras!
Depois desse dia gostoso, foi hora de voltar para o hostel para fechar as últimas coisas para voltar para a rodoviária, afinal, nossa passagem era para as 20h e o tempo de aproximava. Mais um momento difícil de despedida: Dara e Grace ficaram mais tempo em Sucre e elas foram duas das que eu mais me aproximei no novo grupo de amizades. Acho que eu nunca vou acostumar a dizer adeus para amizades. Sempre fica um aperto no peito e um desejo que elas estivessem junto vivendo as próximas aventuras!Link das fotos: https://drive.google.com/drive/u/0/folders/1-8sUD7S4kAaTuR6S2qYxegu0ha5P8rDT
Dados do dia
Trilha deste dia
S.O.S Amor
Ed Motta