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TRAVESSIA
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DIA 19 DE 135·La Paz, Bolivia·6 de maio de 2026·

Tudo se pode comprar e dia de cholitas

☀️22°C
↑ 2360m
2704km do Rio
💧 31%

Dia 19 - 26/04/26

Depois de um ônibus noturno e uma festa eu claramente estava bastante cansado, mas por sorte, esse dia seria mais tranquilo, mas ainda assim com pouco sono. Depois de dormir lá para as cinco da manhã no dia anterior, acordei às nove para explorar mais La Paz. Os planos do dia eram conhecer a maior feira ao ar livre da América Latina e pela tarde assistir à Luta livre de Cholitas, recomendada por muitas pessoas pelo caminho. Primeiro de tudo, nesse dia especialemente, precisava começar a jornada com um café. Samila não acordou, então Ajay e eu tratamos logo de conseguir um bom café para dar aquela energia extra para os planos. A feira, era na parte alta da cidade, então pegamos o teleférico e fizemos uma subida ingreme até a parte da cidade chamada de El Alto, que é como se fosse uma área metropolitana, mais afastada do centro. Ao chegar lá, de fato, vimos algo impressionante: uma multidão de barracas coloridas que não parecida ter fim. Logo entramos e começamos a explorar. A quantidade de estímulo visual foi o primeiro aspecto que me imopressionou. Muitas coisas coloridas, muita gente passando, muitos vendedores tentando nos convencer a comprar suas mercadorias que iam desde de molas de caminhão, comida de feira de rua feita na hora, pintinhos vivos, até documentos falsos e muito mais. Literalmente tudo que você pensar vendia lá. É uma coisa de um dia inteiro no mínimo para conhecer bem o lugar e mesmo assim é fácil de se perder, mas talvez esse seja o objetivo: às vezes se perder pelos lugares e deixar o acaso resolver o "roteiro" é muito mais legal que seguir um plano porque na minha experiência até agora, de alguma forma, sempre acabo conhecendo lugares e pessoas incríveis dessa forma, assim no improviso, sem planejar muito. Inclusive, uma breve reflexão: se eu pudesse voltar no tempo, teria comprado apenas o vôo de ida para a viagem e não reservado outros vôos dentro da viagem e ingressos. Antes de sair de casa, pensei que a minha viagem estava muito solta, o que eu queria, mas ao mesmo tempo me dava um certo nervoso. Hoje vejo que a incerteza é uma grande vantagem porque dá flexibilidade para inventar novos caminhos enquanto se trilha o caminho atual. Enfim, voltando para o dia, pegamos o teleférico para descer novamente na cidade baixa onde está o centro e nos preparamos para ir à Luta de Cholitas. Como em tudo na viagem, negociamos descontos o máximo que pudemos e pagar mais barato muitas vezes tem seus contras: nesse caso, dava para ver que o passeio era bem mal organizado. Primeiro que não nos buscaram no horário combinado, o ônibus simplesmente não apareceu. Depois quando finalmente vieram e nos colocaram no ônibus, que era bem velho e desconfortável, nos fizeram descer desse ônibus para embarcar em outro, tão velho quanto. A essa altura, já estou acostumado com esses pequenos impecilhos e eles no final das contas, acabm rendendo boas histórias. Chegamos ao local da luta. Era um ginásio antigo, com várias cadeiras de plásticos arranjadas ao redor do ring de luta. O ingresso incluia coca e uma pipoca que foram ótimas adições, já que não tinha almoçado por conta do café da manhã que ainda me enchia. As primeiras atrações não foram de fato as cholitas, mas outros homens que lutavam como no WWE. A diferença é que eles pareciam bem amadores, o que deixou as lutas ainda mais engraçadas pelos movimentos um pouco mal coreografados. No entanto, esse foi só o aquecimento para o show principal: as cholitas entrram depois, com suas vestes tradicionais e elas por sua vez, pareciam lutar bem melhor que os homens. O show foi bem interativo: ao entrar, elas convidam algumas pessoas da primeira fila para uma dança ou alguma brincadeira. Depois, a coisa fica séria quando entram no ring. Cada uma chama a torcida de sua forma para apoiar com muito barulho nas lutas. Na última luta, todos os lutadores se dividem em times de homens e cholitas para lutar uns contra os outros e aí vira aquela galhofa total, onde pedem para a torcida jogar caderiras para dar uns nos outros. A única parte que foi estranha foi que em alguns momentos, os homens "batiam" nas cholitas, o que deu um certo embrulho no estômago, mesmo que no final, as cholitas ganhassem a luta. Podiam cortar essa parte. No final das contas, foi uma experiência divertida e demos muita risada à noite. No fim, já estava um frio danado dentro do ginásio e estava doido para ir embora porque além disso precisava muito ir ao banheiro mas lá, estavam fechados e ninguèm podia usar, então tive que esperar chegar na cidade para isso. No final da noite, só queríamos comer algo pois estávamos morrendo de fome e acabamos primeiro seguindo um som de música na rua que estava acontecendo em algum lugar por perto. Quando fomos ver, devia ser algum feriado porque vimos alguns lugares com uns palcos enormes pelas ruas e muitas cholitas muito bêbadas, sem conseguir entrar nos táxis enquanto seus maridos tentavam ajudar. Demos muitas risadas e partimos para procurar um lugar para comer. Achamos um restaurante chinês que servia a mesma coisa que a maioria dos lugares: o frango frito boliviano. Nos contentamos e comemos por lá mesmo, afinal não queríamos passar um super tempo procurando o melhor lugar porque o dia seguinte começaria cedo com a temida Death Road. Link das fotos:https://drive.google.com/drive/folders/13BSaEPrkbEx3l0-3LbNfPLcrpn94IFT7?usp=drive_link

Dados do dia

Intensidade
6/10
Energia
40%
Tom emocional
Leve
Sono
4h

Trilha deste dia

Suicide Solution

Ozzy Osbourne

Spotify
921 palavras

Conversas

Carregando...

← AnteriorPerrenguitos e LaçosDia 18 - 25/04/26 No final do último dia em Sucre, partimos para La Paz, encarando um ônibus noturno de 11h de duração. Procuramos bastante na estação de ônibus por um ônibus leito para ter uma noite de sono minimamente decente, já que substituiria uma estria em hostels. Não conseguimos. Encontramos apenas ônibus com poltronas que reclinavam mais do que o comum de um semi leito. É a vida! Para mim que não consigo dormir em ônibus direito, até que foi uma noite razoável onde consegui dormir pausadamente, mas consegui. Só seria melhor se por volta das 6 da manhã não tivesse sido acordados com o ônibus parando no meio da estrada. Todo mundo ficou tentando entender o que estava acontecendo, até que algum tempo depois, o motorista subiu no segundo andar do ônibus com a notícia: a estrada levando a La Paz estava bloqueada por manifestantes e havia barricadas que não podiam ser ultrapassadas pelo nosso ônibus. Foi um daqueles momentos em que se tem que tomar uma decisão importante mesmo sem estar em condições. Eu, Ajay e Samila, todos sonolentos, com fome tivemos que entender qual seria o melhor passo: podíamos esperar os bloqueios serem removidos (o que...Próximo →Highway to hellDia 20 - 27/04/26 O tão aguardado dia chegou. Dia de Ruta de la Muerte. Debati muito internamente se devia fazê-la, afinal é um risco e ela se chama assim por um motivo: muitas pessoas já morreram aqui na época em que carros e ônibus eram permitidos. No entanto, já tinha me arrependido por não ter feito a mina em Potosí e ter perdido a chance de conhecer mais da história do lugar de perto e não queria desperdiçar mais uma vez. Parafraseando o escalador Alex Honnold: se não nos colocamos frente a com o medo real e risco pela segurança física de tempos em tempo, nosssa cabeça começa a criar medos de coisas banais da vida, onde não há justificativa para isso. Quis fazer esse teste, quis encarar esse medo de frente tanto para provar para mim mesmo que eu conseguia quanto para ter a chance de viver algo extraordinário, que muitas vezes se esconde atrás do medo, seja ele qual for, de falhar, de cair, de decepcionar. Com isso em mente, reservei o passeio assim que cheguei em La Paz para não me dar a chance de pensar duas vezes. Como pular de uma altura em uma piscina...