A história viva do dinheiro
Dia 15 - 22/04/26
Segundo dia em Potosí. O plano hoje era ficar até por volta da hora do almoço e partir para a próxima cidade. Nesse ponto, Ajay e eu descobrimos mais uma coisa em comum: gostamos muito de café! Então todo dia pela manhã, para começar o dia, procurávamos bons cafés pela cidade. O grupo ainda estava se conhecendo e quando Ajay me perguntou quantos anos eu tinha e ele disse 25. Nessa viagem, eu ja ouvi de muitas pessoas que eu pareço ter entre 23 e 25 anos. Acho que o skincare (lavar o rosto com água) está em dia! Mas ao me perguntar o mesmo, falei 34 para ele, mas na verdade ele disse que tem 27. Passei uma vergonha básica enquanto tentava explicar o porquê ele parecia mais velho!Após o papinho furado no café, eu e ele queríamos conhecer a Casa de la Moneda de Potosí enquanto a Samila não se interessou muito. Fomos para lá e quando chegamos descobrimos que na verdade o horário que vimos com tour em inglês tinha sido cancelado e só havia em espanhol. Ajay então resolveu fazer uma trilha enquanto eu fiquei para ver mesmo em espanhol. O tour pela casa da moeda superou expectativas. Começou como umas obras de arte que misturavam sincretismos do catolicismo espanhol com a religião do povo local. O mais impressionantes desses quadros, tinha a virgem Maria/Pachamama olhando pela montanha de Cerro Rico enquanto autoridades espanholas seguravam um globo de prata abaixo dela. Depois da seção de arte, o tour pela casa da moeda em si começou. Vimos as moedas da época colonial, da época da republica, moedas comemorativas, tudo com a prata de Potosí. Inclusive, uma curiosidade que achei muito interessante. Na época da coroa espanhola, todas as moedas eram marcadas com as letras das casa da moeda onde eram fabricadas. No caso de Potosí, todas as moedas saíam com as letras P, T, S, I sobrepostas. Conforme o tempo foi passando, o S e o I sobrepostos ficou marcado como o símbolo de dinheiro, a casa de Potosí era a principal da época, e deu origam a um símbolo bem conhecido: $. O símbolo de dólar vem da história da casa da moeda de Potosí!Até mesmo o maquinário original da época foi exibido. As máquinas laminadoras de barras de prata foram primeiro movimentadas pela força de escravizados humanos e depois por força animal, de cavalos. Essas máquinas ocupavam cômodos gigantes inteiros! Isso tudo só para laminar a moeda. Depois, os trabalhadores, cortavam as moedas, que nessa época eram medidas por peso e não por valor de rosto. Por falar em rosto, os moldes que eram usados para marcar a moeda com os símbolos como o P, T, S, I, o valor, etc continha o positivo, a Cara da moeda. Daí o nome cara, enquanto do outro lado, o símbolo da monarquia espanhola era marcado, a Coroa!Além disso, a próxima parte interessante era entender como a prata era separada. Vendo alguns fragmentos extraídos do Cerro Rico, ao contrário do que eu achava ingenuamente, não havia blocos de prata incrustados nas pedras, mas na verdade, o que existem são pequenos cristais de prata que não podem ser separado por força bruta. Foi aí que explicaram que na verdade os mineradores extraíam essass rochas com os pequenos cristais e depois trituravam tudo para haver, aí sim, um processo de separação química da prata usando o mercúrio. Nesse processo, a prata pura se precipita e depois era usada para criar os lingotes, as barras de prata que posteriormente seriam laminadas para darinício ao processo de criação da moeda. Esse foi um dos passeios mais legais que fiz na cidade, além de simplesmente andar pelo lugar e sentir um pouco como as ruas são. Minha impressão de Potosí é que a cidade ainda vive as marcas deixada pela mineração. Não entrei nas minas, mas minha sensação é que as ruas de Potosí são uma representação dos corredores das minas. Estreitas, inclinadas, fumaça dos carros antigos e mal cuidados e no geral claustrofóbicas. A cidade que foi uma das mais ricas da história hoje se encontra ainda triste depois de 400 anos. A cidade que era mais populosa que Paris e Londres, manteve quase a mesma população nesses 400 anos, constante em 200 mil pessoas. Na minha visão, essa cidade é um desafio, ela não é confortável e sempre deixa um sentimento estranho como se algo pudesse dar errado nessa cidade que se forjou na tragédia, mas é uma visita muito necessária para entendermos nossas origens e porque o mundo é do jeito que é.Depois disso, era hora para a aventura seguinte: Sucre. Nesse último dia fiz amizade com uma brasileira que estava fazendo voluntariado no hostel em troca de estadia, Carol, e sua amiga porto riquenha, Dara. Por acaso quando eu, Samila e Ajay estávamos pedindo o táxi para o terminal de ônibus para La Paz, nos últimos minutos de papo furado, descobri que Dara também estava indo naquela mesma hora para o mesmo terminal e chamei ela para ir conosco. Mais uma amizade feita de forma aleatória e que depois fica por dias seguindo viagem junto!Fomos ao terminal, para comprar nossas passagens de ônibus até Sucre. E aí lá se foram mais 3/4 horas de ônibus até o próximo destino!
Link das fotos:
22/04/26:
https://drive.google.com/drive/u/0/folders/1i4U_yaxAXHxgscFG1OMzQNWdhkC62OLL
https://drive.google.com/drive/u/0/folders/1omH92gJ4YR-TrbbGFn0SSQksi6wfAKMQ
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