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TRAVESSIA
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DIA 10 DE 135·San Pedro de Atacama, Chile·21 de abril de 2026·

Despedida do Atacama

☁️14°C
↑ 3992m
2560km do Rio
💧 44%

Dia 10 - 17/04/26

Último dia no Atacama. A essa altura já sei que vou sentir saudade desse lugar. A cidade de San Pedro de Atacama, base para a exploração do deserto, me surpreendeu bastante positivamente. Apesar de pequena e rústica, é bem agitada por receber muitos turistas (aqui eu praticamente só ouvi português, muitos brasileiros). A maioria da cidade é de agências de turismo, casas de câmbio e restaurantes e suas ruazinhas são de areia. Achei algo como uma mistura de Paraty com Pipa, não que seja tão boa quanto essas, mas ajuda a pintar um quadro de como a cidade é. O dia, como sempre, começou cedo e às 4 eu já estava pronto para partir. A primeira parada do dia é um conjunto de Gleisers chamado Geysers de El Tatio. Na língua antiga da população local, Tatio significa “avô que chora” e esse nome vem do formato do vulcão vizinho, que de perfil, parece uma pessoa. Com a expulsão de água e vapor pelos geisers, parece que essa silhueta está chorando. Uma curiosidade: em altitudes como a que estávamos, 4300m, a água evapora a 85º graus pela menor pressão atmosférica, então o vapor expelido não está a 100 graus, mas a 85! Tudo muito bonito, mas esse dia começa antes do sol nascer porque com a temperatura mais baixa, o contraste entre o vapor dos geisers e o ar é maior pela diferença de temperatura. Com isso, vem o desafio do frio. Nesse dia pegamos -7º e tive até que botar as luvas para jogo! No final, tudo valeu a pena, o lugar é lindo e estou aprendendo cada vez mais que certos passeios valem a pena acordar muito cedo para fazer. Depois disso, tivemos nosso café da manhã no meio do nada com vista para um vulcão ativo (mas não em erupção, só dava para ver uma fumacinha leve saindo dele) e depois fomos à outro ponto de avistamento de flamingos e à essa altura estávamos tão perto da Bolívia que pudemos vê-la. Coisa de 8km de distância. Terminado o passeio, cheguei no hostel um pouco antes de meio dia e o último passeio do Atacama começava às 14h.

Esse último passeio foi principalmente de lagoas. A primeira parada foi a Laguna Cejar, uma lagoa tomada por sal (estávamos em uma região de salares no Atacama). O que me surpreendeu dessa vez foi a vegetação rasteira, mas densa, de um amarelo meio dourado. Tivemos que fazer uma mini trilha para chegar. Depois disso, a parte mais legal da tarde para mim: a Laguna Tebenquiche, que pela sua alta concentração de sal, torna impossível, ou pelo menos muito difícil de afundar. Ou seja, sacamos nossas roupas de banho e fomos mergulhar direto. A agua estava dolorosamente fria, mas fui bem treinado na praia da Barra e ignorei o frio para flutuar sem o menor esforço nessa linda lagoa. Foi um momento raro de descanso no meio de uma agenda de aventuras tão corrida, e um descanso de luxo, com vista para vulcões e a cordilheira dos andes!

Nesse ponto, já tinha feito novos amizades na van indo para os passeios, Raul, um espanhol quase brasileiro, viajando há meses pelo Brasil e tão investido no Nosa país que até arrumou uma namorada brasileira! E também, Rossana e Bruna, de Brasília que logo se misturaram no nosso grupo antigo, com Cléber, Stael e Adriano! Fiquei feliz de ter feito s ponte esntre todas essas amizades, todas elas começaram comigo desenvolvendo uma amizade com cada uma dessas pessoas e depois as agregando ao grupo de amizades, acho que essa é uma das coisas Mais legais da viagem e me faz sentir que nunca estou sozinho e sempre aliando lugares e experiências incríveis com pessoas incríveis. Hoje vejo que essa é uma das minhas maiores forças nesse tipo de situação e parece que um sorriso abre muitas portas! Para fechar o dia fomos aos Ojos del Salar onde duas lagoazinhas muito próximas e perfeitamente redondas formam o desenho de dois olhos no meio do salar, um oásis duplo no meio do salar.

Terminado o passeio e voltando na van já estávamos com o nosso grupo todo de amigos fazendo planos para a noite: em San Pedro de Atacama, uma vez ao ano, acontece um festival de degustação de vinhos locais, do deserto. Com a sorte de uma viagem improvisada, essa noite caiu justamente quando estávamos lá e era meu último dia. Como um bom final de episódio de somebody feed Phil ou qualquer uma das viagens de Anthony Bourdain, foi um momento muito especial de reunir todos os amigos feitos durante a viagem do Atacama para uma despedida. Bebemos vinho, explicamos gírias brasileiras ao nosso guia Sérgio (chileno) e dançamos muito ao som das bandas ao vivo de Cumbia que estavam tocando na noite, foi um dia incrível de não só conhecer lugares novos mas também fortalecer amizades, tudo regado por uma pitada de sorte!

Link das fotos:https://drive.google.com/drive/u/0/folders/1shlYtJIQ5BWQh1am5L54wULZ9L1XqBCE

Dados do dia

Intensidade
9/10
Energia
70%
Tom emocional
Leve
Sono
5h

Trilha deste dia

Como Me Voy a Olvidar

Los Auténticos Decadentes

Spotify
833 palavras

Conversas

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← AnteriorAreia e Liberdade numa 4x4Dia 11 - 18/04/26 Após uma noite de festa, fui dormir lá pra meia noite para acordar às 4 da manhã do dia seguinte. Já tinha deixado a mochila pré pronta porque não daria muito tempo de arrumar as coisas tendo que acordar tão cedo. A essa altura já estava ficando até mesmo levemente acostumado a acordar tão cedo, já nesse ritmo há alguns dias. Aí começou a primeira adrenalina do dia. O horário marcado era 5h da manhã, mas quando acordei percebi que estava mais frio que eu imaginava que estaria e então tive que abrir minha mochila e o saco a vacuo com meu compartimento de roupas (aliás, excelente para otimizar espaço em mala e mochila) para tirar a roupa térmica de dentro. Esse vácuo é ótimo, mas quando você precisa correr para mexer em mala, especialmente em um horário em que não dá para acender a luz de um quarto compartilhado ele vira um empecilho. A pior parte nem é essa, é ter que bombear o ar para fora de novo quando pegou o que precisava, o que além de tudo, ainda faz um certo barulho. Em resumo: tive que levar todas as minhas coisas abertas para...Próximo →A sombra da história ainda pairaDia 13 e 14 - Final de 20/04/26 e 21/04/26 Na verdade, o dia começa um pouco antes, ainda no dia 20. Contei para vocês toda a história até o Salar do Uyuni e a sua beleza mágica. No mesmo dia, aproximadamente umas 15h, peguei o ônibus para o próximo destino: Potosí. Após uma viagem de umas três ou quatro horas, percebi que ia chegando ao destino a medida que subiamos mais e mais montanhas. Potosí é, além de muito histórica, a cidade mais alta do mundo a 4000m de altitude. Ao chegar à cidade, talvez pelo tamanho da cidade e da sensação de cidade grande (mesmo que tenha apenas 200 mil habitantes) em contraste com as atrações naturais e cidades que pareciam mais vilarejos do que qualquer coisa que estava visitando desde o início da viagem, ou talvez pela sua história sanguinária, comecei a me sentir um pouco tenso, chegando à noite, sem saber muito como fazer para chegar da rodoviária até o hostel. É engraçado como em alguns momentos algumas decisões ou atitudes mudam toda a história. Quando desci do ônibus para seguir para o hostel e um pouco nervoso com o caos da cidade e a incerteza...