Despedida do Atacama
Dia 10 - 17/04/26
Último dia no Atacama. A essa altura já sei que vou sentir saudade desse lugar. A cidade de San Pedro de Atacama, base para a exploração do deserto, me surpreendeu bastante positivamente. Apesar de pequena e rústica, é bem agitada por receber muitos turistas (aqui eu praticamente só ouvi português, muitos brasileiros). A maioria da cidade é de agências de turismo, casas de câmbio e restaurantes e suas ruazinhas são de areia. Achei algo como uma mistura de Paraty com Pipa, não que seja tão boa quanto essas, mas ajuda a pintar um quadro de como a cidade é. O dia, como sempre, começou cedo e às 4 eu já estava pronto para partir. A primeira parada do dia é um conjunto de Gleisers chamado Geysers de El Tatio. Na língua antiga da população local, Tatio significa “avô que chora” e esse nome vem do formato do vulcão vizinho, que de perfil, parece uma pessoa. Com a expulsão de água e vapor pelos geisers, parece que essa silhueta está chorando. Uma curiosidade: em altitudes como a que estávamos, 4300m, a água evapora a 85º graus pela menor pressão atmosférica, então o vapor expelido não está a 100 graus, mas a 85! Tudo muito bonito, mas esse dia começa antes do sol nascer porque com a temperatura mais baixa, o contraste entre o vapor dos geisers e o ar é maior pela diferença de temperatura. Com isso, vem o desafio do frio. Nesse dia pegamos -7º e tive até que botar as luvas para jogo! No final, tudo valeu a pena, o lugar é lindo e estou aprendendo cada vez mais que certos passeios valem a pena acordar muito cedo para fazer. Depois disso, tivemos nosso café da manhã no meio do nada com vista para um vulcão ativo (mas não em erupção, só dava para ver uma fumacinha leve saindo dele) e depois fomos à outro ponto de avistamento de flamingos e à essa altura estávamos tão perto da Bolívia que pudemos vê-la. Coisa de 8km de distância. Terminado o passeio, cheguei no hostel um pouco antes de meio dia e o último passeio do Atacama começava às 14h.
Esse último passeio foi principalmente de lagoas. A primeira parada foi a Laguna Cejar, uma lagoa tomada por sal (estávamos em uma região de salares no Atacama). O que me surpreendeu dessa vez foi a vegetação rasteira, mas densa, de um amarelo meio dourado. Tivemos que fazer uma mini trilha para chegar. Depois disso, a parte mais legal da tarde para mim: a Laguna Tebenquiche, que pela sua alta concentração de sal, torna impossível, ou pelo menos muito difícil de afundar. Ou seja, sacamos nossas roupas de banho e fomos mergulhar direto. A agua estava dolorosamente fria, mas fui bem treinado na praia da Barra e ignorei o frio para flutuar sem o menor esforço nessa linda lagoa. Foi um momento raro de descanso no meio de uma agenda de aventuras tão corrida, e um descanso de luxo, com vista para vulcões e a cordilheira dos andes!
Nesse ponto, já tinha feito novos amizades na van indo para os passeios, Raul, um espanhol quase brasileiro, viajando há meses pelo Brasil e tão investido no Nosa país que até arrumou uma namorada brasileira! E também, Rossana e Bruna, de Brasília que logo se misturaram no nosso grupo antigo, com Cléber, Stael e Adriano! Fiquei feliz de ter feito s ponte esntre todas essas amizades, todas elas começaram comigo desenvolvendo uma amizade com cada uma dessas pessoas e depois as agregando ao grupo de amizades, acho que essa é uma das coisas Mais legais da viagem e me faz sentir que nunca estou sozinho e sempre aliando lugares e experiências incríveis com pessoas incríveis. Hoje vejo que essa é uma das minhas maiores forças nesse tipo de situação e parece que um sorriso abre muitas portas! Para fechar o dia fomos aos Ojos del Salar onde duas lagoazinhas muito próximas e perfeitamente redondas formam o desenho de dois olhos no meio do salar, um oásis duplo no meio do salar.
Terminado o passeio e voltando na van já estávamos com o nosso grupo todo de amigos fazendo planos para a noite: em San Pedro de Atacama, uma vez ao ano, acontece um festival de degustação de vinhos locais, do deserto. Com a sorte de uma viagem improvisada, essa noite caiu justamente quando estávamos lá e era meu último dia. Como um bom final de episódio de somebody feed Phil ou qualquer uma das viagens de Anthony Bourdain, foi um momento muito especial de reunir todos os amigos feitos durante a viagem do Atacama para uma despedida. Bebemos vinho, explicamos gírias brasileiras ao nosso guia Sérgio (chileno) e dançamos muito ao som das bandas ao vivo de Cumbia que estavam tocando na noite, foi um dia incrível de não só conhecer lugares novos mas também fortalecer amizades, tudo regado por uma pitada de sorte!
Link das fotos:https://drive.google.com/drive/u/0/folders/1shlYtJIQ5BWQh1am5L54wULZ9L1XqBCE
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Como Me Voy a Olvidar
Los Auténticos Decadentes