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TRAVESSIA
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DIA 11 DE 135·Uyuni, Bolívia·21 de abril de 2026·

Areia e Liberdade numa 4x4

☁️12°C
↑ 3992m
2479km do Rio
💧 60%

Dia 11 - 18/04/26

Após uma noite de festa, fui dormir lá pra meia noite para acordar às 4 da manhã do dia seguinte. Já tinha deixado a mochila pré pronta porque não daria muito tempo de arrumar as coisas tendo que acordar tão cedo. A essa altura já estava ficando até mesmo levemente acostumado a acordar tão cedo, já nesse ritmo há alguns dias. Aí começou a primeira adrenalina do dia. O horário marcado era 5h da manhã, mas quando acordei percebi que estava mais frio que eu imaginava que estaria e então tive que abrir minha mochila e o saco a vacuo com meu compartimento de roupas (aliás, excelente para otimizar espaço em mala e mochila) para tirar a roupa térmica de dentro. Esse vácuo é ótimo, mas quando você precisa correr para mexer em mala, especialmente em um horário em que não dá para acender a luz de um quarto compartilhado ele vira um empecilho. A pior parte nem é essa, é ter que bombear o ar para fora de novo quando pegou o que precisava, o que além de tudo, ainda faz um certo barulho. Em resumo: tive que levar todas as minhas coisas abertas para fora do quarto, no pátio do hostel e lá bombear o saco para guardar de novo. Mais ou menos nessa hora, o motorista que ia buscar a gente mandou uma mensagem às 4h45 dizendo que já estava saindo e quando olhei sua localização, estava a 2 minutos do meu hostel, que era o primeiro. Esse ponto foi um pouco tenso porque muitas das minhas coisas estavam fora da mala e ainda apareceu um outro camarada pedindo minha ajuda, que eu compartilhasse minha internet com ele para que ele soubesse onde a van do seu passeio estava. Entreguei o celular para ele pegar o compartilhamento mas falei que estava super atrasado e não poderia demorar. No final das contas consegui fechar tudo faltando 3 minutos para as 5h e o motorista não tinha chegado ainda e as pessoas do grupo do passeio não estavam entendendo bem a lógica de busca do motorista já que ele na verdade pulou o meu hostel e começou por outro. No final das contas, ele chegou às 5h20 no meu hostel e acabou que corri à toa por causa do amigo. Primeira parte resolvida, foi embarcar na van e dormir até chegarmos na fronteira do Chile com a Bolívia. Nesse trecho da viagem, chegamos umas 6 da manhã na fila de imigração por terra, mas tivemos que ficar esperadno por 2h porque o posto só abria 8h (tivemos que chegar cedo porque a fila fica enorme). Às 7h da manhã o motorista estendeu uma mesa do lado da van e serviu um café e realmente, estava MUITO frio. Temperatura negativa do tipo que tive que colocar imediatamente gorro e luva para tomar um cafá porque as mãoes estavam congelando. Nesse passeio, eu e meu amigo Cléber fomos juntos já que ele também tinha reservado esse por acaso na mesma agência e mesmo dia! Em certo momento passaram uma lista de passageiros para pegar informações e vi que tinha uma outra brasileira que não conhecia. No café fui falar com ela e trouxe ela para o nosso grupo e ficamos nós três batendo papo durante o café congelante. A van tinha 12 pessoas que seriam distribuídas em dois 4x4 após a passagem da fronteira da Bolívia e após o café, de volta a vida e com mais ânimo fui conversando com as pessoas da van e contei um pouco sobre a minha viagem pela América Latina. É muito legal ver a reação das pessoas, algo como uma admiração por uma expedição desse tamanho passando por tantos lugares! Daí a conversa foi para Brasil e algumas pessoas já tinham até visitado e parecem super curiosas sobre o nosso país e às vezes sobre vários assutnos que eu nem sei tanto sobre como futebol, mas aí a gente dá um jeito de dar uma ideia pelo menos. A imigração para a Bolívia demorou bastante e só ficamos liberados lá pelas 11 da manhã, quando encontramos com o nosso guia para a viagem, Pedrito, um boliviano de Uyuni que parecia ser o mais experiente dos guias. Aí foi colocar as malas em cima do carro e partir para o primeiro destino: o mirador da Laguan Verde. Ainda fico chocado como essa região pode ter tantas e tão lindas lagoas, sempre vizinha de um vulcão imponente. Depois fomos ao deserto de Dalí, em referência a um quadro do pintor, com algumas rochas protuberantes. Aqui o que impressiona é a grandeza do espaço aberto e já dá para notar a mudança de paisagem em comparação com o Atacama. Em seguida, uma das minha partes preferida do passeio: as termas de Polques. Simplesmente, uma piscina de água natural doce aquecida pelos vulcões vizinhos de bora infinita. Quando você vê está numa aguá de 38 graus com uma das vistas mais absurdas que já viu na vida relaxando verdadeiramente pela primeira vez no passeio. Eu e Cléber já tínhamos nosso esquema de fotos de jeito que um tiravam para o outro e foi quando Thamires, a brasileira que conhecemos na van entrou na pirâmide fotográfica. Aí, nossas fotos ganharam outra qualidade porque tanto eu quanto Cléber começamos a ser dirigidos nas fotos e elas passaram a ficar muito mais legais e com poses mais interessantes que uma tediosa "mãos no bolso". Depois disso, mais um extremo para a conta do dia, depois de poucas horas de sono, frio forte pela manhã, calor intenso pela tarde, agora ganhamos altitude. E não foi qualquer coisa, ao visitar os Geisers da região, chegamos a 5000m de altitude. Por incrível que pareça, não senti tanto os efeitos da altitude quanto esperava, mas claro, tomando todo o cuidado para andar e fazer qualquer coisa em câmera lenta. Quem ficou mal foi Thamires, que nem saiu do carro, tendo muita dificuldade de respirar. Os geisers são muito legais até mesmo por serem diferente dos vistos no Atacama, sendo até maiores, mas uma diferença especificamente não foi muito agradável: diferente dos geisers anteriores, esse expelia água com alto conteúdo de enxofre, então o cheiro de ovo podre era tão forte que talvez tenha sido por isso que eu não tenha sentido mal por causa da altitude, não dava nem para pensar nisso com o cheiro! Para encerrar o dia, o passeio final foi a Laguna Colorada que eu arrisco dizer que foi a melhor que vi em toda a viagem: não só ela tinha várias tonalidades impressionantes como um vermelho cor de vinho, branco de sal, azul, verde, ela tinha muitos, mas muitos flamingos. Mais do que vimos em toda a viagem e de todos os tipos de espécies que nesse ponto já dava até para reconhecer sem o guia. Todos ali, pertinho da areia vulcânica que encontrava a laguna, por onde estávamos passando. Além de tudo isso, uma vicuña está há uns 3 metros de distância bebendo água e a paisagem do vulcão ao fundo coroava tudo. Agora restava só mais 3 horas de 4x4 até o hostel. Há uma sensação de liberdade muito grande em você estar literalmente fazendo o próprio caminho pelo meio do nada na Bolívia. Nem vestígios de civilização, nem sinal de asfalto. Aqui, um pouco diferente dos passeios de antes parecia que estávamos dentro da natureza de verdade e não observando ela dentro de um ambiente controlado, dentro de uma bolha de vidro. O dia foi todo de percorrer caminhos, muitas vezes longos por areia e pedra.Chegamos à hospedagem lá para as 21h para ainda jantar, todos exaustos, mas felizmente o dia seguinte começava mais tarde e seria também mais curto!Link das fotos:https://drive.google.com/drive/u/0/folders/1UxXFZCzbcdX5-KRufV6ChixGiQ3VnnIx

Dados do dia

Intensidade
10/10
Energia
70%
Tom emocional
Leve
Sono
5h

Trilha deste dia

Muyu Muyurispa

Orlis Hmo

Spotify
1289 palavras

Conversas

Carregando...

← AnteriorQuando Olha a Onda toca nenhum brasileiro fica paradoDia 12 - 19/04/26 Segundo dia pela rota do Salar do Uyuni. O dia começou às confortáveis 8h. Mesmo assim, o sentimento foi que dormindo de 22h às 7h, tendo 9h de sono o cansaço ainda estava lá. Pelo menos já estava mais bem acordada e sem a adrenalina pré café da manhã do dia anteior. Minha impressão é que o segundo dia, mesmo tendo sido muito bom, foi um pouco de fazer as coisas que haviam pelo caminho para o Salar, mas que não foram tão impactantes quanto no primeiro dia. A primeira parada foi para conhecer uma formação rochosa conhecida como a Copa do Mundo ou a Cabeça do Diabo, dependendo do ângulo de que se olhava. Em seguida partimos para a rocha do Camelo, que como o nome diz, parecia um camelo. Tentei até escalar para montar no camelo, mas senti que as rochas podiam não aguentar a pressão de alguém fazendo um movimento de barra nelas e deixei para lá. Depois ao perguntar para Pedrito se era possível escalar ele disse que sim, mas que não recomendavam porque alguns turistas já haviam caído de costas ao tentar. Ufa, me livrei dessa. Depois fomos à cidade de...Próximo →Despedida do Atacama Dia 10 - 17/04/26 Último dia no Atacama. A essa altura já sei que vou sentir saudade desse lugar. A cidade de San Pedro de Atacama, base para a exploração do deserto, me surpreendeu bastante positivamente. Apesar de pequena e rústica, é bem agitada por receber muitos turistas (aqui eu praticamente só ouvi português, muitos brasileiros). A maioria da cidade é de agências de turismo, casas de câmbio e restaurantes e suas ruazinhas são de areia. Achei algo como uma mistura de Paraty com Pipa, não que seja tão boa quanto essas, mas ajuda a pintar um quadro de como a cidade é. O dia, como sempre, começou cedo e às 4 eu já estava pronto para partir. A primeira parada do dia é um conjunto de Gleisers chamado Geysers de El Tatio. Na língua antiga da população local, Tatio significa “avô que chora” e esse nome vem do formato do vulcão vizinho, que de perfil, parece uma pessoa. Com a expulsão de água e vapor pelos geisers, parece que essa silhueta está chorando. Uma curiosidade: em altitudes como a que estávamos, 4300m, a água evapora a 85º graus pela menor pressão atmosférica, então o vapor expelido não está a...