Se preocupar não tá com nada
21/07/26
Depois da saga do dia anterior e de ter dormido em um lugar confortavel, mesmo que só por três horas, era hora de seguir para meu destino final: Honduras. Com o dinheiro que meu broder me emprestou, chamei um indrive de dentro da casa, onde a wifi ainda pegava e segui em direção à rodoviária já que meu onibus saía as 5 da amanhã. Esse seria bem longo, chegaria só às 20h e com uma imigração no meio. Consegui dormir razoavelmente, dormindo e acordando um pouco, mas dado o cansaço já ajudou, de 5 às 9. Queria poder ter tomado um café da manhã, mas o primeiro problema do dia (sempre tem um) é que eu ja não tinha mais cordobas (moeda da Nicarágua), só o troco que sobrou do indrive e só tinha 7 dolares no bolso. Quando estava embarcando no ônibus me lembre que apenas a taxa de saída da Costa Rica foi de 13 dolares. Ainda havia a taxa de entrada no próximo país. Ou seja, muito provavelmente eu iria ficar sem dinheiro para pagar, mas pensei: qual seria o pior que poderia acontecer? Me prenderem na imigração? Não acho que isso vá acontecer. Viajar sem dados móveis tem desses desafios também porque no dia anterior antes de dormir resolvi tudo que lembrei, fiz simulações do indrive até o terminal, reservei meu hostel, comprei passagem de ônibus, salvei mapas, busquei trajetos que eu precisaria fazer, taxas de conversão, etc. Mas esqueci de pesquisar quais seriam as taxas de saída da Nicarágua e entrada em Honduras. Mesmo assim, como cheguei à conclusão que nada catastrófico iria acontecer, relaxei e fui dormir o que conseguia. No máximo iria ter que pedir alguns dólares emprestados para todas as pessoas do ônibus. Tenho certeza de que iria conseguir com alguém. No final das contas a taxa de saída da Nicarágua poderia ser paga em Córdobas, o que me ajudava não gastando a merreca de dolar que eu tinha e consegui pagar com o troco do indrive (ainda bem que eu peguei emprestado com folga para a corrida do indrive no dia anterior com o Martino!). Acabou que era papo de 100 cordobas, ou mais ou menos 2 dolares. Uma concluída, faltava só saber se a de entrada em Honduras caberia no meu luxuoso orçamento de 7 dolares ou se eu teria que contar mais uam vez com o altruísmo das pessoas. Taxa paga, todos descem do ônibus com suas bagagens para inspeção e carimbar a saída no passaporte, tramite que demora um pouco e acaba sendo chato, mas vencida essa etapa lá fomos nós carregar o ônibus mais uma vez e seguir para a imigração de Honduras de fato.
Mais uma vez, acabei dando bastante sorte já que a taxa de entrada de Honduras custava apenas 4 dolares, bem dentro do que eu tinha comigo. Essa etapa fechada, deu tudo certo! Fiquei feliz que não fiquei preocupado demais antes da hora por causa disso. No final, como muitas vezes, deu certo e qualquer preocupação não era necessária. A única questão agora é que continuei sem dinheiro para comer, mas isso é foi bem tranquilo. Um dia sem comer não é nada demais. Como minha sorte parece ser grande para todas as coisas que não envolvem o clima, claro que paramos no meio da viagem em um lugar já em Honduras que era tipo um mercado com uma paraça de aliementação. O melhor de tudo é que aceitavam cartão, então pude almoçar! A melhor surpresa do dia! De barriga cheia e depois de tomar um picolé, embarquei novamente no ônibus pronto para seguir viagem. Tudo saiu melhor do que o esperado, no final das contas. Talvez por isso eu tenha me sentido tão confortável em viajar solto sem muitos planos, as coisas normalmente funcionam bem, se pode contar com a generosidade das pessoas. No geral, claro, é necessário ser cauteloso, mas em vez de esperar o pior, pensar em cenários onde as coisas dão errado e se prepara para o pior, é até mesmo seguro esperar pelo melhor. Mais um grande aprendizado de viagem! Depois de 16/17 horas de viagem, finalemente cheguei ao terminal de San Pedro Sula. O ônibus que peguei por incrível que pareça, tinha uma wifi muito rudimentar, daquelas de te deixa apenas checar mensagens de vez em quando, mas não funciona para nada mais. Por sorte, conseguir fazer uma simulação de uber do terminal para o hostel que tinha reservado. Quando cheguei no terminal, fui abordado pelos taxistas como sempre, mas estavam pedidno três vezes mais que o uber e não pareciam muito afim de negociar. Fui então mais uma vez dar meu jeito de conseguir uma solução alternativa. Comecei a conversar com um dos seguranças e contei meu contexto e ele gentilmente compartilhou seu wifi comigo. Só o suficiente para chamar um uber.Quando entrei no uber, vi que estava tocando uma música com o Residente e daípuxei um papo com o piloto, já que conhecia e gosto do artista. A partir daí, se quebrou aquele clima frio de uber (principalmente porque conversando depois ele achou que eu fosse americano (??) antes de falar) e começamos a conversar sobre música e também me deu várias dicas sobre lugares tanto de Honduras quanto sobre a cidade, San Pedro Sula, em que eu iria ficar para dormir, inclusive um dos poucos lugares abertos para comer e a comida típica da cidade. Feito isso, deixei minhas coisas no hsotel e corri para o lugar, que fecharia em meia hora e pedi o que o amigo recomendou: Baleada (como carioca ri bastante internamente do nome do prato), que é basicamente uam tortilha fechada com ovo, feijao, e carne dentro, bem gostoso. Toda oportunidade de comer feijão que eu tenho aqui, eu aproveito muito, porque eu sinto muita falta e na américa do sul não é tão comum infelizmente. De qualquer forma, mais uma pequena sorte do dia foi que o quarto de hostel que eu reservei, que era de 12 pessoas, só tinha eu. Aproveitei para tomar um bom banho após um dia inteiro de viagem e tratei de dormir logo. Estava precisando. Na manhã seguinte pegaria mais ônibus para chegar ao próximo destino: Copan Ruínas.
Dados do dia
Trilha deste dia
Saigo no Koiwazurai
Hige Dan