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TRAVESSIA
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DIA 13 DE 135·Uyuni, Bolívia·21 de abril de 2026·

Algo entre o Céu e a Terra

☁️11°C
↑ 3992m
2479km do Rio
💧 69%

Dia 13 - 20/04/26

Chegou o tão esperado dia! Conhecer esse lugar tão especial que é o Salar do Uyuni. Para isso, acordamos às 4 da manhã e às 4h30 já estávamos colocando as botas impermeáveis para nos proteger da água congelante do Salar. Nesse dia, nem café da manhã tomamos. Saímos antes das 5 para chegar no Salar por volta das 6 e pouco da manhã, com tudo ainda escuro. Nos primeiros dias eu fiquei me perguntando como Pedrito guiava sem poder contar com nenhuma estrada e acho que ele se guia pelas montanhas e pela sua experiêndia de quase 20 anos fazendo isso, mas nesse dia, quando dobramos para dentro do Salar foi a primeira vez que vi ele pegando um GPS. Claro, além de estar escuro, é um espaço aberto numa escala que a gente nem consegue imaginar de tão grande. Lembro do momento em que entramos nesse território e como estava escuro, só dava para enxergar o que a lanterna do carro iluminava à frente e as estrelas. Vi pela primeira vez aquelas formações meio hexagonais que o Salar forma e o nosso grupo correndo sobre elas, agora num novo terreno para o nosso 4x4. Aliás, no nosso carro, havia 6 pessoas: eu, Cléber, dois israelenses e dois suiços. No terceiro dia e depois de dividir quarto já tínhamos ficado mais próximos, encarando aquilo ali juntos e criamos uma certa amizade, mas não tão forte quanto as anteriores e eles já se conheciam o que acabou naturalmente fazendo com que ficassem mais em seu grupo pré estabelecido, mas era engraçado porque no carro se ouvia espanhol, inglês, português, alemão e hebreu o dia todo. Mas enfim, ao chegar no ponto certo do Salar, achei que o nascer do Sol não ia nem ficar tão bom porque havia algumas nuvens no céu. Na verdade foi o contrário: para mim, a medida que a claridade foi aumentando cada vez mais, as nuvens só evidenciavam mais e mais o espelho sobre o qual estávamos. O carro nos deixou numa parte seca e Cléber, Thamires e eu fomos andando mais e mais em direção ao espelho e quanto mais andávamos, mais espelhoso o espelho ficava! Eu não sei nem como descrever o Salar do Uyuni. Objetivamente, é um deserto de sal onde você olha para qualquer lado e enxerga centenas de quilômetros naquela direção e que denpendendo da época do ano acumula água sobre seu solo de sal. Para falar a verdade, nessa época eu nem esperava que houvesse água e mesmo assim já queria muito conhecer. Descobrir que o efeito espelho ainda estava acontecendo porque ainda havia água foi uma das melhores surpresas! Agora, menos objetivamente e mais sobre o que eu senti: é um lugar que dá um nó na sua cabeça, é difícil para o nosso cérebro captar o que está acontecendo ali. Tudo em larga escala, gigantesco, enorme, mas ao mesmo tempo vazio, parece que tudo é só seu, que você entra em uma dimensão diferente que é só sua.

Escrevo hoje de Potosí, não no dia que fui, mas um dia à frente, já com saudade desse lugar e já querendo visitar novamente. Inclusive, até comentei com minhas amigas Rossana e Bruna que estava até com inveja delas que farão esse passeio pela primeira vez. Porque ver o Salar pela primeira vez é uma das coisas mais incríveis que eu já fiz e a novidade que foi, mesmo já tendo visto vídeos e fotos sobre. Nessas horas me parece que existe um sentido novo que não conhecemos. Você pode ver, cheirar, ouvir ou tocar em um lugar (eu certamente lambi um pedaço de chão para ver se era sal mesmo), mas de alguma forma, quando você está nesse lugar, você tem um sentimento que não é simplesmente a soma dos seus sentidos, é algo de uma ordem diferente e que eu espero que todos que estão lendo aqui e vindo comigo possam experimentar um dia! Acho difícil alguama coisa superar essa expriência e o sentimento de aventureiro que me tomou até chegar até ela, atravessando todo tipo de terreno para chegar a um lugar assim!

Link das fotos:

https://drive.google.com/drive/u/0/folders/1WleMLclhJuWngfqas6-RrV-br58L6UgC

Dados do dia

Intensidade
9/10
Energia
90%
Tom emocional
Leve
Sono
8h

Trilha deste dia

DESPECHÁ

ROSALÍA

Spotify
699 palavras

Conversas

Carregando...

← AnteriorEstrelas Brilhantes e Beleza de Outros MundosDia 8 - 15/04/26 Depois do último dia bem exaustivo, comecei o dia com 11h horas de sono, afinal meu primeiro passeio era só à tarde. San Pedro do Atacama já mostrou a que veio. O primeiro passeio foi ao Valle de la Luna, um lugar muito especial no deserto onde a formação de cristais de selenita refletia a luz do dia, o que fazia parecer que a terra era cravejada de diamantes. O guia estava explicando que na mitologia grega, Selene representava a Lua e nada mais adequado, já que o tom branco dessas formações aglomeradas fazia em muitos pontos o solo parecer a superfície da Lua. Esse inclsuice é um tema recorrente no Atacama - algumas das paisagens fazem você sentir que está em outro planeta, é algo realmente impressionante. Mas voltando ao Valle de la Luna: em certo momento eu fiquei na dúvida se estava realmente no deserto ou na borda dele em uma transição de paisagens, mas a guia me confirmou que já estavámos dentro do deserto naquelo ponto. O que me fez ter a impressão de que não foi que muitos tipos diferentes de solos e paisagens estavam no mesmo lugar mudando rapidamente entre si:...Próximo →Quando Olha a Onda toca nenhum brasileiro fica paradoDia 12 - 19/04/26 Segundo dia pela rota do Salar do Uyuni. O dia começou às confortáveis 8h. Mesmo assim, o sentimento foi que dormindo de 22h às 7h, tendo 9h de sono o cansaço ainda estava lá. Pelo menos já estava mais bem acordada e sem a adrenalina pré café da manhã do dia anteior. Minha impressão é que o segundo dia, mesmo tendo sido muito bom, foi um pouco de fazer as coisas que haviam pelo caminho para o Salar, mas que não foram tão impactantes quanto no primeiro dia. A primeira parada foi para conhecer uma formação rochosa conhecida como a Copa do Mundo ou a Cabeça do Diabo, dependendo do ângulo de que se olhava. Em seguida partimos para a rocha do Camelo, que como o nome diz, parecia um camelo. Tentei até escalar para montar no camelo, mas senti que as rochas podiam não aguentar a pressão de alguém fazendo um movimento de barra nelas e deixei para lá. Depois ao perguntar para Pedrito se era possível escalar ele disse que sim, mas que não recomendavam porque alguns turistas já haviam caído de costas ao tentar. Ufa, me livrei dessa. Depois fomos à cidade de...